Vida de amante?

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Leitora: Quero ficar com um cara que tem namorada. Ele parece estar bem afim de mim e eu estou doida pra ficar com ele. O problema é o medo de ser amante e acabar me dando mal. Fico ou não fico?

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Está aí uma grande questão: ficar ou não com alguém que já tem outro alguém? O jeito aparentemente mais simples de resolver isso seria se você quisesse ficar apenas por ficar, porque nisso pouco ou nada importaria o que ele iria pensar de você. O problema é que nem sempre pensamos em algo importante: na mulher desse alguém. Nisso entra aquela velha frase que diz “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”. Se você está mais interessada nele do que o normal, e quer mais do que uma simples ficada, ficar de amante acaba sendo pior ainda, já que é impossível não concordar que o mundo sempre foi e continua sendo muito machista, e dificilmente você não será julgada – e até mesmo desvalorizada – por isso, a começar pelo julgamento do próprio homem, que pode nunca mais te ver como uma mulher para levar a sério, já que “topou ser a outra”.

Assim, se você resolve ficar com esse homem, também tem que estar preparada para que ele pense isso, e até coisas piores de você. Claro que se ele não pensar é lucro, mas aqui me limito a falar da “regra”, que querendo ou não é representada pela maioria machista. Você também tem que estar preparada caso não ganhe o que a oficial ganha, e isso diz respeito a tudo: tempo, presentes, e até mesmo sentimentos. No começo, você vai ter que se acostumar em sair apenas nos dias que ele não vê a outra (o que sugere dias de semana, e jamais ou quase nunca finais de semana), e horários nada a ver, tal como a meia horinha do almoço, etc. Também não poderá reclamar muito se ele ficar te escondendo, e querendo te ver em lugares fechados e discretos em detrimento dos lugares públicos. Sem contar os presentinhos, que provavelmente você ganhará nada ou quase nada, já que a mulher secundária costuma ser tratada como tal, e ele provavelmente dará o melhor de si para a mulher que ele mais gosta, que provavelmente é a que ele está e querendo ou não escolheu. Nisso não fica difícil pensar que você levará prejuízo pelo menos no início, e até mesmo pra sempre, caso não consiga reverter a situação.

No fim, o problema é que mesmo que você reverta a situação e o cara se apaixone por você, largue a mulher, você vire a oficial, e mais tudo aquilo que você tanto quis, o relacionamento correrá o risco de ser bastante atordoado: há grandes chances de ele não confiar totalmente em você, já que sabe que você fez o que fez, e tampouco você confiará plenamente nele pelos mesmos motivos. Sem contar o fantasma da  ex. Assim, é importante pensar se vale a pena ou não passar por todos esses “poréns”, bem como se esse homem está valendo todo esse tempo – e risco – gasto com ele enquanto você poderia estar ficando com um homem livre e desimpedido.

Por mais que nem todos admitam, é difícil um homem pensar que uma mulher que aceitou ser secundária não é vagabunda, mal intencionada, ou qualquer outro adjetivo negativo. Nisso nem precisa falar que eles acabam não dando muito valor (ou valor nenhum) para a tal pretendente. É claro que toda regra tem exceção, mas em geral, enquanto a mulher fica apaixonadinha achando que o cara não a trairia tal como fez com a outra, o homem costuma pensar bem o contrário: que ela é uma bisca que não da pra confiar, e muito menos trocar pela patroa. É claro que muito homem não pensa que pior do que você é ele que é comprometido e está traindo. Enfim, é mais fácil pra ele pensar que você é a mulher que “não dá para confiar” do que que ele é o sem vergonha da história. Então, se você está interessada em um homem comprometido, é bom já ir tomando consciência desse preconceito social, ainda que ele seja hipócrita.

Boa sorte!

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