Só gosto de malandros?

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Leitora: já faz um tempo que percebo que muitas vezes os homens que me apaixono não são os considerados bonzinhos mas sim aqueles instáveis, que não sei bem se gostam de mim, frequentemente me dão bolo, mentem   e as vezes que fazem coisas legais não dá muito tempo e eles fazem mais algo que me decepciona, como sair escondido etc. Será que só gosto dos malandros?

É triste dizer, mas pelo o que você disse provavelmente a resposta é “sim, você gosta” (ou ao menos prefere). No entanto, isso não quer dizer que você não possa vir a mudar de ideia e de gosto, desde que você saiba que isso dependerá de uma revolução interna que terá que ser feita em você mesma.

Você tem se dado valor? se considerado uma mulher atraente, digna de ser tratada como uma “princesa”, ou algo do tipo? Ao meu ver, muitas das mulheres que gostam de malandros muitas vezes assim preferem por querer afirmar algo dentro de si, como se sentir capaz de conquistar um homem “difícil”, “domar o malaco” por assim dizer e, isso muitas vezes tem a ver com baixa auto estima da própria mulher que precisa se reafirmar e ver o quanto é capaz de ser sedutora através de coisas externas. Para esse tipo de mulher, não bastaria apenas ser amada, mas sim “fazer com que o cara a ame”, de preferência aquele bem difícil de ser conquistado. Sem contar aqueles estudos psicanalíticos que dizem que as mulheres procuram homens como os seus pais e aí, você pode até mesmo pensar no seu pai para ver se isso é pelo menos uma meia verdade.

Não sou psicanalista e, ainda que concorde em parte com essa visão, acho que o problema pode estar em todas essas coisas, mas o que mais pesa no fim é sempre a questão da auto estima. Se a mulher se sente valorizada, se passou a vida com homens que a valorizava (o que inclui o próprio pai, irmão e não apenas ex namorados), seria difícil ela querer perder todo o mimo recebido até então e aceitar caras que fazem pouco caso, que dão bolo, mentem etc. Se dar valor quer dizer que você deve acreditar que merece tudo aquilo que é bom e isso inclui o kit básico que geraria uma boa saúde mental (coisa fundamental em um bom relacionamento), ou seja, um homem sincero, que não minta (ou que pelo menos não minta nada que te faria mal) e que te respeite? Tem mulheres que broxam ao ver um homem cozinhando para elas, ou fazendo as compras de mercado, por exemplo. Nada contra esse gosto pessoal, porém, eu particularmente não entendo a preferencia de muitas por aqueles que não sabem fazer (quase) nada em especial que não seja dar dor de cabeça.

Insisto na ideia da mulher ter que ter na cabeça de forma clara que merece ser bem tratada e, para ela achar isso, ela tem que ter auto estima. Se a mulher acha que não é grande coisa (que não é muito bonita, ou se acha boba, etc), automaticamente ela tende a procurar homens do nível que ela acredita ser e aí, surgir um “malaco” que nada ou pouco faz por ela se torna algo nada surpreendente. No entanto, é comum que aquela mulher que, mesmo não sendo tão bonita, legal etc  mas que se considera como tal, acabe se valorizando e aumentando o preço do seu peixe (“eu sou boa e por isso mereço me juntar com um cara igualmente bom!) e isso significa que ela tenderá a procurar homens que a trate bem, com respeito etc e, com isso, nem precisa falar que a chance dela ser uma pessoa feliz emocionalmente aumenta substancialmente.

Também sei que muitas mulheres insistem em um “malaco” por dizer que eles tem pegada, são mais fogosos etc. Acho isso pura lenda e acho que um bonzinho pode ser tão ou mais fogoso do que um malandrão, já que ele costuma a se preocupar muito mais em te satisfazer e isso tende a acabar acontecendo de fato (quem muito insiste em aprender o que agrada um dia acaba aprendendo). No entanto, muitas mulheres associam isso de querer satisfazer sempre como coisa de homem bonzinho demais, bobão que não dá tesão e acabam preferindo aqueles que as deixam na dúvida, tensas e até mesmo sofrendo. Cada um com o seu gosto, mas, devemos ter em mente que se associarmos atitudes de pouco caso ou até mesmo desrespeitosas como geradoras de desafios e de “tesão”, que não são tão sem graça quanto as de um “bobinho faz tudo”, depois não poderemos reclamar do sofrimento e nem de termos ficado com um cara que trás tudo, menos paz de espírito.

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.