Sou lésbica e minha parceira se diz hétero.

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Leitora: Sou lésbica, tenho 28 anos,já namorei meninas de todos o tipos, agora me vejo em um dilema, estou ficando com uma menina que se considera hétero, isso já faz uns 5 meses,esta bem gostoso, quero levar para um patamar mais alto, pedi ela em namoro, ela não aceitou, diz que não quer, que não aceita isso na vida dela, tento fazer amor com ela, mais ela luta,diz que quando estou “em cima” dela se lembra que esta ficando com uma mulher. Não entendo, porque ela continua ficando comigo, parece gostar de mim. Quero conselhos! Me ajudem.

 Sua parceira está visivelmente assustada com a orientação sexual que descobriu ter. Isso ainda não é ponto pacífico para ela e parece ser uma questão que ela ainda está tentando resolver consigo mesma. Ela já está há cinco meses se relacionando com você, ou seja, não é um relacionamento passageiro, nem uma ficada de uma noite ou numa baladinha depois de umas e outras. Essa é uma relação que, ao que parece, está caminhando para algo mais sério e ela já percebeu isso. Então, para manter essa ilusão de que é hétero, ela tenta reprimir sua possível bi ou homossexualidade quando deixa de ter relações contigo. Essa atitude muito possivelmente está ligada à educação que ela recebeu da família, ao padrão social, ou quem sabe até mesmo religioso, o qual diz que sexo só pode ocorrer entre pessoas de sexos opostos.

Assim, ela não aceita ter relações com você porque isso possivelmente significaria romper com as ilusões dela de que tem uma orientação sexual tradicional, já que se permitir a uma transa com você seria muito provavelmente, para ela, a prova cabal de que realmente ela tem tendências homossexuais. Ademais que há o risco de ela acabar gostando mais de transar com mulheres do que com homens (isso se ela já tiver tido experiências sexuais com homens, claro!). Dessa forma, enquanto ela conseguir resistir às suas investidas nesse sentido, ela se manterá nessa zona de conforto, isto é, dentro daquilo que ela é capaz de assimilar e aceitar. Se ela está há cinco meses com você é porque provavelmente está gostando disso, mesmo que ela ainda tenha alguns limites que a impossibilitem de se entregar a você e a essa relação por inteiro. Compreendo que, para você, que é homossexual assumida, seja difícil aturar esse comportamento da sua parceira. Mas você deve procurar entender, que para algumas pessoas, é muito duro aceitar que sua orientação sexual foge ao tradicional e, de início, pode ser assustador perceber-se diferente dos demais ou daquilo que a sociedade espera que sejamos.

No meu entender, se ela já está ficando com você há cinco meses, significa que ela mesma já deu o primeiro passo para se aceitar bi ou homossexual, pois, se repudiasse totalmente essa prática, nem aceitaria se relacionar por um tempo considerável com alguém do mesmo sexo, o que implica dizer que, para ela se assumir totalmente, talvez ela necessite contar com sua ajuda.

Então, penso que você deveria chamá-la para uma conversa, expor suas intenções nesse relacionamento e indagar-lhe sobre o porquê ela resiste tanto em aceitar algo que, para você, é natural. A partir daí você pode ir mostrando a ela os momentos bons que passaram juntas, falando que a sociedade já não condena tanto o bi ou homossexual como antes, etc. Mas jamais dê a essa conversa um tom de pressão, pois ela não conseguirá se entregar a essa relação por completo se sentindo pressionada porque, para que isso aconteça, ela primeiro tem que vencer essa barreira psicológica que aparentemente foi erguida por ela mesma. Tente dar um tom ameno a essa conversa para que ela não fique arisca, nem na defensiva, pois a intenção não é essa. Tente demonstrar que você está muito mais disposta a ouvir do que falar e que não está ali para condenar a postura dela de não assumir o romance de vocês, mas para ajudá-la a ser feliz. Tente imaginar que seria muito difícil para ela se condenar por estar se relacionando com alguém do mesmo sexo e ainda de quebra ter essa pessoa condenando-a e fazendo cobranças por ela não ter condições psicológicas de assumir esse relacionamento.

Por que não presenteá-la com a biografia do Rick Martin, o qual afirma que depois que superou seus próprios preconceitos e se assumiu gay tornou-se muito mais feliz, sentindo-se como se houvesse se libertado de uma prisão? Nada melhor do que o depoimento de alguém que passou pela mesma situação e que conseguiu contornar o problema. Também que tal quando estiverem juntas, assistirem a um filme com cenas onde apareçam duas mulheres juntas? Não precisa ser necessariamente um filme pornô para não ficar apelativo e deixá-la ainda mais sem jeito, mas pode ser um filme onde essa cena exista, para parecer algo bem casual, o que poderá despertar bem mais a curiosidade dela. Um bom filme para isso é O Preço da Traição, onde há uma cena de sexo de muito bom gosto entre duas mulheres e uma delas nunca havia transado com outra mulher.

Para finalizar, se está tão gostosa essa relação, será mesmo que existe essa necessidade de você oficializá-la através de um pedido de namoro que agora poderá mais assustar sua parceira do que trazer benefícios para ambas? Não acha que uma relação pode muito bem se consolidar pelo decurso do próprio tempo sem que seja necessário se cumprir determinadas formalidades? Talvez sua parceira se sinta muito mais à vontade nesse relacionamento se tudo for acontecendo naturalmente, se você dispensar as formalidades e for tentando despertar o interesse sexual dela de forma indireta. Pode funcionar… Já que o problema dela é quando você fica em cima, posição que dá a ela a clara noção de que aquilo ali é uma relação sexual, por que você não compra um vibrador para apenas “brincarem” juntas, sem que você precise ficar por cima dela, posição que tanto a assusta? Isso pode ser uma forma, embora básica, de vocês já irem criando formas de interação sexual. Espero que de alguma forma, eu a tenha ajudado.

Boa sorte!

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About Author

Colaboradora do Pergunte a uma Mulher. 25 anos, formada em Direito, adora assistir a um bom filme, apreciar uma boa música, ler um bom livro em uma tarde ensolarada e fresca, escrever sobre suas impressões do mundo e observar e refletir sobre a vida. Afinal, "sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão".