Vejo minha mulher como uma filha!

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Leitor: Depois que descobri que minha esposa estava grávida, perdi a atração por ela, não vejo mais ela como minha esposa, mas sim, como uma amiga e mãe do meu futuro filho. Adoro ela, tenho que proteger ela de qualquer forma como se fosse minha filha, é uma proteção de pai. Tentei fazer amor com ela, mas não consegui, as vezes eu tenho vontade de vomitar em pensar em fazer amor com ela. Sempre tive uma vida sexual com ela gostosa, mas depois que descobri, não consigo não consigo mais. O mais incrível é que não conseguia olhar para outras mulheres na rua, e isso agora mudou, eu olho, e me sinto como um lobo. Já pensei em me separar dela, mas penso no filho que está por vir. Já ouvi falar que isso passa depois que vier o filho, porém também já ouvi que se isso não passar a probabilidade de eu separar é grande.

Acho que você precisa de ajuda psicológica, e a meu ver os seus maiores problemas são preconceito, falta de informação, e até mesmo machismo. Até onde eu sei, a mulher não só pode como deve fazer sexo durante a gravidez: isso faz bem para ela, para o filho, e até mesmo para o casal. Inclusive, ouso a dizer que se você fizesse mais amor com ela, você estaria cuidando ainda mais de quem você quer cuidar, que é o seu filho que certamente sente muito do que a mãe dele sente.

Se você deixa uma grávida feliz, tudo fica melhor, inclusive o sistema imunológico dela, e não, o seu filho não vai saber que a mãe dele está transando, pelo menos não da forma “suja” que você parece ver o sexo. Acho importante você pensar se você trata sua mulher como filha ou amiga apenas porque ela está esperando um filho seu, e se for só por isso, sinceramente acho um motivo um tanto quanto superficial. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, ela não virou uma santa só porque está grávida de um filho seu, e diga-se de passagem nem o filho que está dentro dela é um santo! Eles são seres humanos como qualquer outro, e você “santificá-los” tal como você parece fazer só prejudicará a família toda. Eles precisam sim de muito respeito e carinho, mas não precisam ser beatificados, se é que você me entende. Do jeito que você fala parece que sua mulher virou um objeto intocável só porque tem um ser vivo dentro dela, e as coisas não funcionam assim: ela ainda tem vontade de se sentir amada e desejada como mulher, independentemente de fazer ou não sexo contigo, ela ainda quer ser sua mulher, e não sua amiga, e se você transmite que ela não é mais nada disso o caso acaba ficando mais grave do que parece: ou será que alguém aí quer “ficar casado entre amigos”? Acho que não.

Quanto à sugestão de esperar ela ter o filho para ver se as coisas mudam, eu acho válida, porque se o seu problema for psicológico em não querer afetar o filho, depois que ele “sair de dentro dela” pode ser que você volte ao normal, porém, ainda assim acho importante você procurar informações com uma ginecologista, de preferência a dela, para que ela (a ginecologista) possa te explicar tudo o que faz e o que não faz sentido nesse seu medo. Ao que parece você é um pai de primeira viagem, e espero que esse seu pensamento mude com o passar do tempo. Apenas acho um desperdício você não saber aproveitar essa fase tão mágica na vida do casal que só dura 9 meses. Talvez se você se livrar desse preconceito de querer preservar “a mãe do seu filho a qualquer custo” a vida de vocês poderá mudar drasticamente, e para melhor. A sua mulher continua sendo uma mulher desejável, e é diferente você não desejá-la mais porque não a deseja mesmo, e não desejá-la porque o seu preconceito e excesso de cuidado não deixam, entende? Tente pensar se o seu caso é realmente falta de desejo ou bloqueio cerebral para não sentí-lo, porque mesmo sendo agora “pai e mãe” vocês ainda são homem e mulher.

Por fim, aconselho a leitura do post: Grávidas não despertam desejo sexual?

Boa sorte!

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.