Minha mulher perdeu a vontade de ousar no sexo!

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Leitor: Conheci minha atual esposa através de uma rede social onde possuíamos comunidades de fantasias e fetiches em comum. Realizamos muitas e inventamos muitas outras para no momento oportuno realizá-las. Com o tempo, ela perdeu o interesse nas fantasias enquanto eu aumentei o meu interesse e então nossos problemas sexuais começaram.

As vezes sinto que comprei um produto mas quando cheguei em casa era outro. Nós conversamos abertamente sobre qualquer assunto e ela sabe que eu quero muito continuar realizando eles, então propôs realizar algumas fantasias de vez em quando mas a maioria ela deixou claro não que não tinha como fazer.

O sexo convencional é bom mas só ele não me satisfaz, logo o meu interesse sexual na minha mulher diminuiu muito. Já pensei em me separar e viver no mundo dos fetiches/fantasias, mas em função dos filhos descartei esta hipótese.

Ela também não aceita terceirizar o serviço. Não sei o que fazer, tem algum direcionamento que possa me dar para que eu e minha esposa consigamos superar esta fase?

nao quer inovar no sexo

 Nossa, “comprei um produto mas quando cheguei em casa era outro”. “terceirizar o serviço”, você não é romântico mesmo, hein? hehe. Enfim, apesar de ter entendido o que você disse, acho que você está depositando muito a felicidade do seu relacionamento em coisas terceiras, que ainda que sejam legais, não podem ser a vida do seu relacionamento.

 Será que você ama mesmo a sua mulher? Ou será que você gostava dela como companhia para os fetiches? Eu entendo que para quem gosta desse “mundo” é difícil viver no “tradicional”, mas as vezes desconfio que o que você tinha com a sua mulher era mais questão de corpo, do que de amor em si. É claro que você pode amá-la e mesmo assim também adorar o mundo das fantasias, mas sinceramente achei que você depositou muito o seu relacionamento na parte carnal, e isso não me parece coisa de quem ama, até porque, como você mesmo disse, “você só não se separou dela por conta dos filhos”. Sem contar que do jeito que você responsabilizou a questão do fetiche  na questão do auge e da baixa do seu relacionamento parece até que você se casou com ela só por causa disso.

Perguntei para um homem que conheço e que ama esse mundo da fantasia tanto quanto você se era possível largar dessa vida por causa de um amor, e ele disse não só que sim, como também que já fez isso. Sei que cada caso é um caso, e não é só quem larga algo que gosta que ama, mas quem ama de fato se esforça mais. Por exemplo, você mesmo disse que a sua mulher propôs de realizar algumas fantasias de vez em quando, tirando algumas que acredito que hoje em dia ela considere mais “pesadas” e que muito provavelmente ela propôs isso apenas por amor a você, visto que tal como você mesmo pareceu perceber, ela não tem mais essa necessidade. Se ela propôs abrir mão de algo por você em busca de um equilíbrio, por que você não pode fazer o mesmo por ela? Não sei, mas a impressão que deu é que ao invés de você ficar feliz por ela ter proposto um meio termo, você ficou triste porque ela não quer mais ser exatamente como antes, e isso me soa um tanto quanto egoísta.

Eu entendo que você se casou com uma mulher e queria que essa mulher se mantivesse igual, mas será que você é o mesmo homem de sempre? Com o passar do tempo, todos nós tendemos a mudar nossos gostos e preferências. Inclusive, é normal passarmos pelas “fases boas e ruins” e considero crucial respeitá-las. A sua mulher está em uma fase em que apenas a sua companhia para ela basta, e pelo visto você está na fase inversa, mas o que fazer nessa hora? Tirando o fato de respeitar a necessidades do outro e procurar um meio termo, acho fundamental você não ser tão egoísta nessa hora. Você age como se só você sofresse com essa situação, e parece que não parou para pensar que não só provavelmente a sua mulher propôs realizar alguns fetiches de vez enquanto apenas para te satisfazer e por te amar, como também provavelmente isso é algo que ela nem acha “super legal”  de se fazer no momento. Se ela está proposta a abdicar algo por você, por que você não pode fazer a sua parte?

O próprio mundo fetichista tem como “regra” a ideia que diz que se a pessoa não quer, não force. Eu pessoalmente sou a favor dessa “regra” não só pelos motivos óbvios de que provavelmente a outra pessoa ficaria chateada contigo, como também acredito que quanto mais você força, menos tesão a pessoa terá em você e passaár a ver o fetiche como obrigação e até mesmo como sinônimo de brigas e mal estar a depender de como você aborda o assunto com ela. Enfim, prazer e pressão são coisas que realmente não combinam e é bom ficar esperto com isso.

Se você não quer trocar de mulher por causa dos seus filhos, acho que você tem que no mínimo respeitá-la, coisa que com o tempo pode fazer inclusive com que ela volte a ter o gosto pelos fetiches, e mais do que isso, ter prazer em te ter como companheiro dela. Ou será que ela iria ter prazer em ir para uma casa de fetiche com um homem que age como se só a barriga dele doesse? Eu no seu lugar tentaria reconquistar as coisas com mais jeitinho e paciência, sem cobranças e tantas comparações com o passado, porque fora isso ser chato, ninguém é hoje o mesmo que foi há meses ou anos atrás, e mesmo que você pense que você é, nem você mesmo é.

Se no fim você ver que o mundo dos fetiches é maior até mesmo do que a sua esposa e o seu casamento, largue dela e decidam a maneira mais segura e amorosa para lidar com a questão dos filhos, o que não dá é você ficar pressionando-a só porque você optou por estar casado. A sua liberdade termina quando começa a do outro e você não querer largar os seus filhos não quer dizer que você tenha que pressionar a sua mulher a ser uma pessoa que ela não está afim de ser no momento, quem sabe até por estar broxada com algo, que pode ser inclusive “não sexual”, na relação de vocês que só você poderia dizer o que é.

Boa sorte!

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.