Mulher que se casa virgem tem curiosidade de transar com outros?

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Leitor: Eu e minha esposa somos casados há muitos anos. Quando a conheci ela era virgem. Temos um relacionamento sexual bastante ativo e acredito que muito satisfatório, para ambos. Já há algum tempo notei nela certa frustração por não ter conhecido outros homens na cama. Esta mesma situação me foi relatada também por um colega de trabalho. Ele estava muito chocado por sua esposa lhe fazer esta revelação. Isto é comum entre mulheres que casam virgens?

Mulher casada virgem tem vontade de experimentar outros homens?

Esse tipo de pergunta aliada a outras situações semelhantes que já vi aqui no blog é ótima, porque ajuda a desmistificar aquele mito de que a mulher que teve outros parceiros antes de se casar teria uma tendência maior a desejar outros homens e consequentemente a trair. Já vi essa ideologia até em livros de sexualidade voltado para o público cristão, onde o autor fazia da virgindade um verdadeiro seguro contra uma possível traição por parte da mulher. A lógica do escritor era: se ela conseguiu resistir, na fase do namoro, até a você, que era namorado dela, decerto resistirá também aos outros homens (isso para as que se casaram virgens). No entanto, ao que parece, essa lógica funciona apenas em tese porque, na prática, não é bem isso que tenho visto acontecer. De antemão, gostaria de dizer que não pretendo com esse comentário atacar nenhum credo religioso. O que quero dizer, na verdade, é que não concordo com esse ponto de vista porque, de vez em quando, vejo algumas pessoas aqui neste blog trazer exatamente a mesma questão que você está trazendo.

Primeiro de tudo, cabe investigar por que sua esposa decidiu se casar virgem para entender de onde vem essa frustração de não ter conhecido outros homens na cama, já que a vida sexual de vocês anda muito bem. Falo isso porque a impressão que tenho é que muita mulher toma essa decisão de se casar virgem não por convicção própria, porque ela escolheu esse momento para se iniciar sexualmente, mas por uma questão de coação velada social e familiar (claro que há exceções). Falo social porque socialmente “se promete” às moças que consigam vencer as tentações da carne o “título honorífico” de moça de família, moça direita. Claro que essa maneira de pensar vem caindo cada vez mais em desuso. Entretanto, como você disse estar casado já há vários anos, imagino que, na época em que vocês namoravam, esse conceito fosse ainda muito forte, de sorte que, naquele tempo, perder esse rótulo de moça para casar poderia repercutir muito mal sobre a reputação de uma mulher. E essa questão da virgindade em nossa sociedade era algo tão culturalmente arraigado na mente das pessoas, sobretudo há alguns anos. Inclusive, já ouvi histórias até de algumas mães que não deixaram suas filhas pegarem o buquê da noiva no casamento porque esta já não era mais virgem (vai ver que elas acreditavam que pegar o buquê de uma noiva não virgem pudesse dar azar. Vai saber!).

Já na esfera familiar, observe que o pai sempre se auto intitula guardião da periquita da filha, enquanto a mãe, a tia e a avó tentam inculcar na mente da jovem mocinha casadoura que a melhor opção para ela será se casar virgem, que moça que se dá o respeito não faz isso antes de casar e essa concepção pode ser vista até mesmo nas músicas. Basta se lembrar da música A Raposa e As Uvas imortalizada por Reginaldo Rossi quando ele canta o seguinte trecho:

“E ao chegar em tua casa, em frente ao portão um beijo, um abraço, minha mão, tua mão, com medo que o velho pudesse acordar. A pílula já existia, mas nem se falava, nos muitos conselhos que tua mãe te dava Tinha um que dizia : “só depois de casar”.

Então, note que se casar virgem é algo que a maioria das mulheres acaba fazendo mais pelos outros do que por elas mesmas, pois culturalmente, quem decide o momento de uma mulher iniciar sua vida sexual não é ela, mas sim a sociedade em que ela vive e a família, as quais, no caso do nosso grupo social, convencionaram entre si que seria o casamento. Diante desse quadro impositivo onde a mulher não poderia decidir nem mesmo sobre sua intimidade, não é de se estranhar que mais dia, menos dia, uma mulher que se casou virgem queira chutar o balde e saber o que é que existe fora dos muros que guardam os “domínios” do matrimônio e certamente satisfazê-la sexualmente não será impeditivo algum para que ela queira saber o que se passa por detrás desse muro, porque ela não está querendo conhecer isso por se sentir sexualmente insatisfeita, mas talvez por curiosidade, por sentir falta de ter vivenciado algo que lá trás ela não viveu.

Há também o fato de que, atualmente, vivemos em uma sociedade altamente sexualizada, onde a mulher que já teve vários parceiros é tida como “a bem-resolvida,” sendo essa, inclusive, a pregação de muitas daquelas revistas que ela talvez fique lendo para passar o tempo no cabeleireiro. Então, pode ser também que toda essa propaganda tenha mexido com a cabeça da sua mulher, aguçando-lhe a curiosidade para descobrir como seria o sexo, que ela conhece apenas com você, com outros homens.

Bem, não sei como é sua personalidade sexual, se é mais conservador ou mais saidinho, mas talvez uma ótima maneira de resolver esse impasse seria trazendo para cama de vocês uma terceira pessoa. Um segundo homem para ser mais exata. Sim, porque se você nos pergunta o que deve fazer após ter notado que sua esposa se sente frustrada por não ter transado com outros caras quando solteira, é porque certamente deseja tomar alguma providência para reverter essa situação. Vale ressaltar que eu particularmente não vejo a prática de trazer terceiros para a vida sexual do casal com bons olhos, mas, como digo sempre, não estou aqui para impor minhas convicções morais, muito menos para paternalizar nenhum leitor. Minha função é tão somente sugerir caminhos possíveis de serem seguidos. O leitor é quem escolhe se, para ele, será conveniente trilhá-los ou não.

Assim, penso que trazer um outro homem para o quarto de vocês possa até dar uma movimentada na vida sexual do casal, além de matar a curiosidade da sua esposa e o melhor: mantendo-o sempre a par e no controle do que acontece entre ela e outro parceiro, o que talvez ajude a potencializar a cumplicidade entre você e sua mulher. Entretanto, caso opte por essa alternativa, jamais tome essa decisão no calor das emoções, pois uma ação como essa exige do casal muita maturidade. Então, primeiro de tudo, ambos têm que procurar pesar os prós e os contras dessa atitude e observar se estão preparados para aguentar o tranco caso alguma coisa saia fora do planejado. Por isso, sugiro que você leia os seguintes textos já publicados aqui no blog:

Vale a pena realizar os seus fetiches

Sexo a três com dois homens

Entrevista sobre swing

Resta saber também se sua esposa estaria disposta a dividir a cama com mais outro cara, se bem que, a essa altura do campeonato, esse seria o meio mais razoável e seguro para vocês, enquanto pessoas casadas entre si, de ela recuperar o tempo perdido.

Grande beijo e boa sorte!

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About Author

Colaboradora do Pergunte a uma Mulher. 25 anos, formada em Direito, adora assistir a um bom filme, apreciar uma boa música, ler um bom livro em uma tarde ensolarada e fresca, escrever sobre suas impressões do mundo e observar e refletir sobre a vida. Afinal, "sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão".