Por que é tão difícil achar uma mulher “puta na cama e dama na sociedade?”

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Os meus parabéns para aqueles que têm ou são “uma dama na cama e uma puta na sociedade”. Vocês já “entenderam a lógica” e não precisam ler esse texto, já os que ainda não são ou não têm, eis aqui uma possível explicação para esse problema que assola tanto os relacionamentos.

Puta na cama e dama na sociedade

Começo o primeiro parágrafo de igual forma fiz no texto “Homens cafajestes: de onde é que eles vieram?“, mas que dada a versão masculina, eis o lado feminino sobre a mesma moeda:

Quem é que já não está careca de ouvir aquela frase que diz “Ninguém presta”, ou “está difícil encontrar alguém compatível com os meus interesses”? O que mais vemos hoje em dia são pessoas desesperançosas com o amor, e é bem nessa hora que te pergunto: será que você não está sendo vítima das suas próprias escolhas?

Ok, dada a versão possível do porquê de muitas mulheres terem dificuldade em encontrar “o par perfeito”, vou falar sobre o que considero um dos maiores problemas dos homens que passam por esse mesmo problema. Peço perdão para as exceções e parto para a regra representada por aqueles homens que costumam levar a sério a máxima que diz que “puta a gente come fora, mas casar de papel passado, é só com mulher direita”.

Nada contra “as mulheres direitas”, porém, o que acontece é que “mulher direita”, na visão de muitos desses homens costuma carregar atributos que depois do casamento eles mesmos consideram grandes defeitos. Estes se casam com elas, assumem, têm filhos, apresentam para família e inclusive as incentivam a serem “mulheres recatadas”, até porque vai que elas aprendem a sensualizar demais e acabam dando para outros? rsrs. Porém, passados alguns anos de casamento, estes mesmos homens que as ensinaram a serem damas de família, começam a reclamar que essas não usam muito da sensualidade, não inovam na cama, isso quando querem transar! Também falam que elas se preocupam demais com os filhos, se esquecem deles e que “são certinhas até demais”. Isso quando alguns deles não usam isso como desculpa para trair com as “putas”, porque afinal de contas: “a mulher deles não dá no coro e eles precisam de sexo”!!

Mas peraí, será que essa mulher realmente não dá no coro ou faz assim por pensar que se ela for diferente disso ele vai achar que “ela é uma qualquer”? Sem contar que se o homem não quer que ela “se pareça com uma puta” fica difícil ela desabrochar, até porque as vezes precisamos de inspiração, nem que seja para usar apenas com “nosso homem entre quatro paredes” rsrs. Só que o problema é que, infelizmente, no fundo muito homem ainda não acredita que ela pode ser a putinha particular dele e de mais ninguém. Nisso ele não consegue – ou não tem coragem – de investir nisso, quer que ela descubra tudo sozinha e vire uma safadona só quando ele quiser que assim seja, como se tivesse um botão “liga e desliga safada”. É claro que muita gente vai dizer (e com toda razão) que não tem necessidade dela ser uma safadona todo o tempo, que ela pode sentir o “clima do momento” e por próprio bom senso ser – ou não ser – safada. Porém, infelizmente não é toda mulher que consegue ter essa percepção sobre quando começar e quando parar a “putaria” com o maridão. O resultado disso? Na dúvida, muitas simplesmente não começam!

Aqui entra uma hipótese: será que esse homem que reclama muito “das vadias” não acaba fazendo com que sua mulher não consiga levar esse lado puta apenas para a cama (que é o que muitos querem) por achar que isso não combina “com o lado dama que ela tem que ser em 99% do tempo” e que ele predominantemente mais elogia? Sim, porque convenhamos que a grande maioria dos homens só elogia “as putas” quando é para falar sobre sexo, e se muita mulher entende mais” a linguagem social” do que “a linguagem do sexo” (heranças do machismo?) é claro que a segunda opção pode virar grego rsrs. Assim, por uma má compreensão ou falta de convencimento do homem em provar que ele realmente quer e gosta desse lado safado, a mulher acaba se mostrando santa até demais, inclusive com o intuito de não ser discriminada por ele, pessoa que ela ama e quer ter sempre por perto. Sim, se ela o ama, nada mais previsível do que ela achar que a atitude ideal é o que ela entendeu disso tudo, e não o que ele quer que ela entenda.

Recaptulando: como eles dizem gostar muito mais das moças de família do que das putas, nem sempre é fácil se lembrar que isso só não vale para a hora do sexo (e do filme pornô rsrs)! Nisso nem precisa dizer que muitas mulheres acabam colocando tudo em um pacote só, também chamado do pacote do 8 ou do 80.

Um exemplo figurativo: nem sempre é fácil ficar um dia inteiro sem poder falar palavrão e na cama ter que se lembrar de falar “nossa amor, que p** gostoso!!!”. Ok, o exemplo foi chulo, mas foi só para falar que, muitas vezes, naturalidade comportamental é igual matemática: tem que treinar muito, porque se só fizer um cálculo uma vez por semana não aprende direito.

Chegamos à uma associação curiosa: a mulher querer parecer santa – muitas vezes mais do que ela de fato é – acaba entrando na mesma lógica do homem querer ser (ou parecer?) cafajeste – muitas vezes mais do que ele também realmente é: por achar que assim atrai mais! No final das contas, por mais que “paguemos” de seres de extrema personalidade, todos nós queremos ser amados, e se o preço for entrar em conceitos sociais do que “é ou não atraente em cada gênero”, nós entramos neles. E é lógico que nem sempre isso acontece de forma consciente…

A conclusão é simples: constantemente deixamos de ser quem realmente somos para tentar conquistar quem amamos e acabamos por incorporar hábitos culturais e sociais pelo simples fato de querermos ser aceitos.

Tudo isso corre para uma só verdade: queremos ser amados em maiúsculo! Se o esperado é que os “homens sejam machos” e as “mulheres sejam para casar” eis aí o que encontramos para a nossa vida: relacionamentos tediosos porque as mulheres não podem – ou ainda não aprenderam – a se equilibrar com as putas e  porque os “machos” não podem – ou não querem – se equilibrar com os românticos com o medo de serem vistos como “trouxas” e acabarem sendo menos desejados por isso.

O mais irônico disso tudo é que boa parte da chatice dos relacionamentos é culpa de nós mesmos, porque no dia em que nós nos permitirmos a conhecer o outro por inteiro, com certeza reclamaremos menos de relacionamentos comuns e tediosos. Como não ser monótono se a gente só pode ser “um” a vida inteira e se esse “um” é igual a todos os outros que também querem agradar e são “vítimas” desses estereótipos que nós mesmos criamos?

No fim, voltamos àquela mesma frase inicial: Será que não somos vítimas das nossas próprias escolhas?

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Esse foi o texto de abertura do livro Pergunte a uma Mulher

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.