Sou ex-garota de programa, me casei com um evangélico que amo, mas não sou realizada sexualmente com ele!

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Leitora: Olá Luiza boa tarde, já faz algum tempo que vejo seu blog e tomei a liberdade de procurá-la.

Sou casada há 2 anos, tenho agora 28 anos de idade. Quando solteira fui garota de programa e fiz alguns filmes pornográficos. Precisava de dinheiro e a oportunidade era interessante. Me habituei com sexo sem sentimentos e participei de orgias e sexo grupal e confesso que nestas horas tinha grande prazer. Aliás, teve alguns momentos em que só chegava a ter prazer quando estava sendo filmada ou em sexo grupal. Tinha uma vida dupla trabalhando durante o dia em um banco. Após um tempo conheci o meu atual marido que ainda trabalha no mesmo banco e agência.

Ele era evangélico e se apaixonou por mim. Nós começamos a namorar e eu acabei por me converter à religião dele.

Quando fomos nos casar, eu disse a ele que não era mais virgem, que havia tido relações com um único namorado. Ele sofreu bastante com o relato mentiroso que disse a ele, mas disse que me amava e queria viver comigo pra sempre. Hoje somos casados, ele é muito carinhoso, um ótimo marido, apaixonado e um ótimo partido. Temos relações sexuais semanalmente e ele é sempre muito respeitoso. O fato é que sou insatisfeita, pois quando fazia programas e filmes eu adorava e tinha grande prazer. E ele não faz muitas coisas na cama.

Não posso falar pra ele ser mais ousado ou sacana na cama, pois ele consideraria isto um crime, dado a sua criação religiosa.

Também não tenho coragem de contar meu passado, pois ele sofreria muito e com certeza iria querer o divórcio, pois se sentiria traído.

E eu fico frustrada, pois não me realizo sexualmente com ele.

Várias perguntas afloram minha mente: Sou errada por ter tido prazer e ainda querer este tipo prazer com vários parceiros? Sou errada por amar uma pessoa tão diferente? Estou errada por não contar a verdade e minhas preferências sexuais? Sou errada por ter nascido? Por que tenho que viver este conflito?

Ex-garota de programa, casada com um evangélico e não satisfeita sexualmente

Filme pornô é perigoso, heim?! Já pensou algum colega do seu marido é viciado em um pornô, assiste seu filme e conta para ele?! Como diz os mineirinhos: “aí você sai voado!!!”, rsrs.  Espero que isso nunca aconteça, mas se acontecer, já esteja preparada para algumas brigas e bastante chororô.

Você entrou para uma vida que, na visão da maioria dos homens, é um tormento difícil de aceitar. Sei que agora você é ex garota de programa, e ex atriz de filme pornô, só que o grande problema é que para eles, “uma vez prostituta, sempre prostituta”. Se você se revelar ou a “sua máscara cair”, dizer que “passado é passado e que você mudou”, definitivamente não convencerá a maioria, ainda mais se forem machistas ou muito conservadores, tal como parece ser o caso do seu marido. O lado bom é que, apesar de ser uma situação um tanto quanto delicada e o seu marido ser um tanto quanto fechado, isso não significa que você não tenha saída, até porque, a depender do amor que ele sente por você e a depender dos seus argumentos (conversaremos sobre isso mais adiante), ele será capaz de superar coisas que ele se surpreenderia com ele mesmo! Já pensou, depois de uma boa conversa ele bate na sua porta com cuecão de couro, chicotinho na mão, te encoxando e falando “venha cá minha delícia molhada!!!”, “minha bandida de cinta liga!”? Ô sonho, heim! kkkkkk

Pelo o que estou percebendo, você realmente gosta do seu marido, tanto é que você podia ter voltado a ser garota de programa, podia estar traindo, mas não, você está procurando ajuda, o que só prova que não é toda garota de programa que é sem coração (pois é, reza a lenda que vocês são sem coração com os bofes e só querem a grana deles, rsrs). Tudo seria lindo se ele não fosse um “evangélico careta” se comparado aos seus padrões de vida, né?!

Ao que tudo indica, você nasceu para levar uma vida de “puta”, não no sentido de cobrar para transar, mas sim no sentido de dar muito, sem frescura e de todas as formas possíveis e variáveis, sabe? Você nasceu para levar uma vida safada ao mesmo tempo em que a vida fez uma pegadinha tão malandra contigo que em vez de te fazer se apaixonar pelo danadinho do grupo de swing, te fez se apaixonar logo por uma pessoa extremamente religiosa. Mas nada que não tenha solução ou ao menos tentativas para fazer dar certo.

Se isso te consola, acredito que tudo na vida tem um motivo de ser. Se você viveu com ele até hoje, certamente é porque vocês têm que tirar algo de bom nessa situação e evoluírem a partir disso. Quem sabe você não tem que aprender que a vida não é só sexo enquanto ele aprende que a vida também não precisa ser tão careta assim? Na minha humilde opinião, fazer o mal é trair, roubar e matar: fazer amor é divino e não é porque o casal ousa um pouco que ele fica feio e do capeta (bate na boca!)! Feio é comer a mulher do vizinho, comer a esposa é saudável e ele tem que saber que quanto mais bem comida, melhor para os dois: ou será que ele não ficaria satisfeito em te ver satisfeita?

Já entendi que você mentiu por medo de perdê-lo de vez em caso dele descobrir que você teve uma vida que ele intitularia “promíscua”, e que como você estava apaixonada, ficou com medo de revelar isso a uma pessoa que ficou extremamente triste porque você teoricamente transou com apenas um homem na vida, quem dirá se soubesse que você transou com a torcida do Flamengo inteira. E mais do que isso: ainda achou bom e sente falta!! Porém, apesar de entender o seu medo, você compreende que se você tivesse contado a verdade já desde o início, e ainda que você já gostasse dele naquela época, você não iria ter sofrido tanto justamente por ainda não ter rolado tamanho apego, e que justamente por isso, terminar – ou pelo menos ajustar – um relacionamento que mal tinha começado seria muito mais fácil? Sei que o leite já foi derramado e não adianta chorar agora, porém, estou enfatizando isso com o intuito de você não repetir a mesma besteira de se omitir da próxima vez e ter que pagar caro que nem está pagando agora, ok?!

Pronto, o sermão já acabou e agora vamos pensar nas poucas opções que te restam:

A primeira opção que acredito que todo mundo vai te dizer, por ser a mais óbvia, é contar toda a verdade para ele e sofrer as devidas consequências por isso. Porém, vamos ser sinceras: você não parece estar afim de contar a verdade. Se for isso mesmo, será que não vale a pena pelo menos falar que gosta de um sexo mais safadinho? Não é só garota de programa que gosta de sexo safado, mulheres normais também gostam e justamente por ser algo relativamente comum entre as mulheres, não vejo motivo em temer revelar esse seu desejo. Explique para ele que não há pecado em ser ousado com a pessoa que ele escolheu para passar o resto da vida, que sexo entre duas pessoas que se amam é saudável e que esse negócio de dizer que bonito é só fazer papai e mamãe não passa de um tabu machista. Sei que alguns religiosos vão alegar que sexo é só para a procriação, mas se for assim, então ele não deveria nem fazer papai e mamãe contigo, oras! Se a pessoa já não segue a risca a ideologia que diz que sexo é só para ter neném, qual é o problema em fazer um servicinho bem feito?! Isso que não entendo!!

Ele pode até não gostar de orgias e essas coisas extremamente ousadas, mas será mesmo que ele não gosta daquela mulher safada entre quatro paredes e fica se enganando que não sente prazer com isso apenas por causa da religião dele? Fora tentar explicar que o caso de vocês é amor, não só sexo, tente ir acostumando ele aos poucos, fazendo uma safadezazinha nova a cada dia: não vá bancar a putona completinha de uma só vez se não você mata o homem! Vá com jeitinho e essa habilidade de trabalhar com os “poréns” masculinos é algo que com certeza a sua antiga profissão te trouxe de bom! Use o que você aprendeu com tantos homens e seus respectivos conflitos para ao menos tentar entender melhor o seu marido. Garotas de programas são verdadeiras psicólogas e entendedoras do mundo masculino, então use esse seu conhecimento a seu favor!!!

Sei que existem vários tipos de evangélicos: alguns mais liberais, outros menos. Se você ver que o seu parceiro realmente é daqueles mais rígidos e que fazer o que você quer que ele faça o faria se sentir muito mal, só te resta respeitá-lo ou trocar de marido. Se por outro lado você ver que o caso dele não é dos mais radicais, tente explicar aquilo que te falei para ver se ele não vai se liberando aos poucos. Se a religião é o mundo dele, cabe a você procurar dentro das crenças dele brechas para fazê-lo entender que ser feliz sexualmente não é pecado.

Também sei que tem vários tipos de igrejas evangélicas, umas mais liberais, outras menos. Seja lá qual for a que vocês seguem, por que você também não tenta falar com o pastor de vocês a fim de pedir para que ele te ilumine com ideias e algumas sugestões? Se você achar esse problema um tanto quanto delicado para falar com o seu pastor, uma outra opção é tentar buscar na Bíblia passagens que possam ajudar o seu marido a abrir um pouco mais a cabeça dele. Não sei se é porque sou formada em Letras, mas penso que em todo livro existem várias interpretações que dependem de quem as lê, e aí cabe a vocês usá-las para o amor e a felicidade, até porque acredito que não importa a religião: todas querem o amor e a felicidade do casal. Ou será que estou errada?

Tente chegar a um consenso com ele, porque ainda que seja lindo você entender as limitações dele, é legal que ele também possa entender as suas. É de cumplicidade que se faz um amor duradouro: amar de verdade é também abrir mão de detalhes em prol da felicidade do outro. Se depois dessa conversa nada disso der certo e vocês perceberem que se um abrisse mão de algo seria infeliz para o resto da vida e vice-versa, talvez essa seja um mensagem de que vocês não nasceram um para o outro. Não adianta ele tentar ser mais ousado e ser infeliz, bem como não adianta você tentar ser “moça de família tradicional” e não ver sentido nisso, entende? Vocês podem e devem abrir mão de coisas um pelo outro, mas só se essas coisas realmente não forem fundamentais para a felicidade de vocês. Tem coisa que a gente só não faz por falta de costume ou que não custa nada – ou custaria pouco – fazer. Porém, se esse “não fazer algo” for mais questão de caráter do que qualquer outra coisa, aí minha amiga, vai ser difícil ser feliz sem que um tenha que sofrer mais do que o outro por isso.

Boa sorte!

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.