Você realmente sabe o que atrapalha o seu destino?

13

O que atrapalha o seu destino?

Você acredita em destino? Eu acredito. Na verdade, mesmo os que dizem não acreditar no fundo acreditam e fazem mais ou menos como os ateus, que dizem não acreditar em Deus até a hora em que a vida aperta tanto que só resta jogar a responsabilidade do futuro em algo fora do alcance das mãos.

Nada contra quem entrega parte dos resultados na guarda de algo abstrato e subjetivo, até porque essa divisão de responsabilidades com o universo costuma gerar certa paz interior e melhorar as suas noites de sono ao te iludir que o peso que você jogou no mundo não é mais de sua inteira responsabilidade. Ilusões à parte, sabemos que, vez ou outra, essa estratégia até pode funcionar por termos dado o que chamamos de “tempo ao tempo”, porém, o grande perigo é quando essa atitude de “deixar tudo nas mãos da vida” acaba gerando um vício pelo comodismo do “vou deixar rolar para ver no que dá” e te faz ser uma pessoa covarde que faz pouco ou quase nada. Nessa hora você começa a jogar tudo o que te dá trabalho ou te faz sofrer nas responsabilidades do mundo e ainda assim acredita que o que é seu, virá naturalmente. Doce sonho…

Depois de um tempo com uma vida estilo Zeca Pagodinho do “deixa a vida me levar, vida leva eu”, as coisas começam a dar errado e mais uma vez o covarde joga a culpa no mundo, no azar do momento, numa fatalidade, mas nunca nas consequências de sua falta de atitude e excesso de medo de viver. Ele ousa até mesmo reclamar do quanto é azarado enquanto outras pessoas têm sorte. Nisso eu pergunto: será que alguma vez na vida ele se esforçou de verdade para mexer alguns palitos, ou só costuma fazer isso quando eles estão relativamente fáceis de se mexer?

Nenhuma vida é tão bem escrita quanto um conto de Shakespeare, com um começo, um meio e não importa o que aconteça, um final que continuará sendo sempre o mesmo. Qualquer vida real é composta por um misto de páginas eternamente soltas e incompletas: você tem que sair na tempestade para pegá-las, enxugá-las e tentar compor a sua história. Algumas rasgam, se perdem no caminho e, se isso acontecer, você terá que recriar a parte perdida ou simplesmente desistir dela – pagando o devido preço por isso, claro. Ainda que digam que viver é escrever sem rascunho, tem coisa que dá para apagar e reescrever novamente, quase que do zero, a depender da sua força de vontade e do tamanho dos seus sonhos.

Às vezes o que te falta é só respirar fundo, tomar um cafezinho, pegar a sua vida vazia e trabalhar duro na sua mais nova composição da vida real: reescrever do zero sempre dá trabalho e costuma ter como efeito colateral um bocadinho de preguiça e medo. Mas no fundo você sabe que consegue, porque querer ser feliz está no seu instinto de sobrevivência e você sabe disso.

Uma pessoa pode estar na cadeira de rodas hoje e sair dela amanhã. Se ela fizer isso, ela terá apagado e reescrito o seu destino que parecia ser fatídigo:

Uma pessoa diz: “Coitadinho, ele nunca mais voltará a andar”.

A mesma pessoa falando algum tempo depois: “Minha nossa, ele está andando! (cara de abismada!).

É bobagem afirmar categoricamente que algo não tem volta ou conserto, não sem antes tentar, tentar e tentar de novo. Ainda que reescrever seja difícil e que apagar deixe marcas no papel, a reescrita sempre tem a oportunidade de ser brilhante.

O destino existe sim, porém, não se iluda com as possíveis facilidades que a teoria cultural diz sobre ele. Ainda que pareça cômodo pensar assim, ele não vai escolher por você: o destino é mais ou menos como aqueles caminhos de mão dupla em que os heróis dos filmes vez ou outra têm que escolher: se for para um lado ele leva a um lugar, mas se for para outro ele poderá desembocar em um destino completamente diferente.

Se sempre temos mais de uma opção a seguir, não te parece absurdo pensar que o destino manda tanto assim em você? Ou melhor, não te parece coerente pensar que o destino não é “um” destino, mas sim múltiplas possibilidades de ser o que você quiser?

Será que podemos escolher o nosso futuro quase como a gente escolhe entre comer um doce ou uma fruta: se você escolher o primeiro inevitavelmente você engorda mais, porém, e ainda que seja mais difícil, ainda assim você tem a opção de comer uma fruta. No fim, o destino existe ao mesmo tempo em que ele é uma questão de escolha.

Se você só come, dorme e não gosta de trabalhar, como você vai ser gostosão(ona) e bem sucedido? Não te parece bobagem pensar que você nasceu para ser “assim ou assado” se você nasceu para ser o que você quiser? No fim, cada um nasceu para ter o que merece, com o detalhe de que quem corre atrás e acorda cedo costuma merecer mais. É a lei da atração e do retorno e essa lei costuma ser mais justa do que você imagina.

É até engraçado falar sobre isso, mas tem gente que vê a Gisele Bündchen e acredita que ela nasceu linda, rica e bem sucedida de um dia para o outro, como em um golpe de sorte no estilo dos filmes encantados. Porém, quem pensa um pouco mais sabe que nem precisa conhecê-la pessoalmente para saber que com certeza houve muito trabalho duro e muita luta durante esse processo que você, bem como os outros telespectadores, só puderam ver o final (ela brilhando nas telas). Ainda que a gente a veja feliz e radiante nas passarelas e comerciais, só ela sabe aonde teve que pisar para chegar onde chegou.

Será que o sucesso dela faz parte do destino? Sim. Mas será que chegar a um destino faz com que a luta ou a preguiça resultem nesse mesmo fim? Certamente não.

Não existe só ela de linda e talentosa no mundo, porém, ela foi uma das poucas que chegou até lá ao mesmo tempo em que tem outras tantas com potencial de ser como ela – e até mesmo melhor – mas que nunca chegaram nem perto. Essas pararam no caminho, desistiram ou simplesmente optaram por mudar de rota, mesmo as que queriam o mesmo sonho. Nesse caso não faltou potencial, mas faltou coragem.

Quando uma empresa aérea te pede para “escolher o seu destino”, você vai lá, escolhe e literalmente paga por ele. A vida real não é muito diferente disso: você escolhe e você paga pela sua escolha, você paga pelo seu destino.

O destino existe, mas também existe luta e oportunidades aproveitadas. Se você trabalha muito, faz o seu melhor e mesmo assim não consegue o que você quer, de fato não conseguir provavelmente era o seu destino, porém, se você não tenta, não se esforça e consequentemente não consegue o que quer, como você vai poder alegar que não conseguir era o seu destino? Isso seria como pular na frente de um trem em movimento e dizer “se for para morrer, eu morrerei!” e depois ainda ficar chateado porque se estrebuchou todo.

Você só terá certeza do seu sucesso ou fracasso se você realmente tentar e se esforçar para chegar aonde você quer chegar, pois o destino nada mais é do que aquilo que acontece depois de você ter dado o seu melhor.

Instagram
Share.

About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.