Crônica de um homem virgem e BV aos 33 anos!

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Virgem e BV aos 33 anos

Agradecendo já a oportunidade dada, e já desejando mais felicidades e conquistas com teu blog pra você Luiza!

Bem, fui uma criança e brinquei muito. Foi divertido, com meu irmão e tal, mas era preciso conhecer outras crianças, pena que isso não foi muito lembrado por alguns adultos, mas isso é outro setor pra se discutir. Um pouco isolado do convívio com outras pessoas, principalmente meninas. Não misturado com os de rua, nem com os de nível social mais alto e pouca vida social fora da escola foi vivida por mim. No que uma receita de desastre dessa poderia ocasionar?

Você pode dizer ou pensar muita coisa, acertou se pensou em bullying. É… e das pragas que existem, essa não costuma perdoar seus alvos, aquela confiança social que todos precisam ter logo deixa de existir (se é que existiu mesmo um dia). Mas aí é engraçado: você menino, com seus 9 anos, olha a menina mais gatinha da sala e vai lá fazer graça. Se você pensou que eu, de tão tímido, não faria uma graça, não foi bem assim. Eu fiz sim gracinhas pra ela e pra outras. Ok, com certeza aqueles óculos de míope deviam causar certa repulsa nessas meninas interessadas em gatinhos bonitinhos, mais espertos, mais agressivos, mais carismáticos e populares, há! E quem disse que o jogo das meninas com os meninos mudou? Até aí você já viu isso? Com certeza, e sim, eu nada consegui só com essas gracinhas e tentativas de impressionar as menininhas.

Essa agora só pra deixar um pouco pro leitor curtir:

“Terceira série e festinha junina chegando, a escola inteira já no clima, os ensaios começam pro arraiá, lá vai o mais novinho e baixinho da sala, com seus óculos ainda nem tão fundo de garrafa assim, ser escolhido pra dançar com uma daquelas meninas tão ou ainda mais meia boca do que ele mesmo aparentava ser: molenga, enjoada, emburrada, chata. Ah, dou uma paradinha pra comentar que qualquer semelhança entre o enjoada, emburrada e chata na menina com o fato de vermos muito disso da mesma forma em mulheres mais velhas, sejam adolescentes, adultas ou idosas, que mesmo com o corpo crescido, parecem que não cresceram por dentro, sabe? Enfim, se trata de mera coincidência neste ponto do relato, sim?(rs).

Ok, lá vão os casais bonitinhos dançando, se dando bem, alegres, mas, e nós dois? O fim do mundo chegou pra menina, nossa dancinha não saía, eu desajeitado daquele jeito não poderia ser alvo de muita paciência nem mesmo por parte da professorinha que nos escolhera pra aquilo. Logo depois da primeira tentativa, seria muita chance pra mim a menina não entrar em desespero e começar a chorar e reclamar com a tia, que tristeza, que tristeza pra ela, enquanto eu ficava ainda mais sem jeito observando a cena. Na verdade eu nem queria tanto dançar e desisti. O arraiá aconteceu sem mim, e acharam outro menino para a dança.”

O tempo segue seu fluxo né? Eu nem percebendo isso, e infantil demais, como perceberia? Adolescência e aquele senso de incompetência social já se estabelecendo, já me sentindo diferente dos outros caras. Mas isso não era o fim, era apenas o começo. O que fazer diante daquilo? Veja a coisa da minha perspectiva, desajeitado e já tímido, sendo feito de chacota com freqüência.

Uns anos depois, quarta série, me deparo com uma colega que resolve me mostrar um brinquedinho de plástico, tamanho de um polegar na forma de dois bonequinhos que transavam de perfil, um com pênis, obviamente, e a boneca que recebia a carga por trás. Olha só, mexiam pra trás e pra frente no vai e vem mesmo, legalzinho, criativo, educativo talvez, lindo de se ver. Mas eles queriam saber se eu já tinha visto aquilo, já me viam como um ser assexuado pelo visto, em momentos perguntaram se eu sabia o que era uma camisinha e, se tinha já visto a cara da gata (rs), ficava envergonhado, mais uma das várias facetas do poder sobrepujante que o bullying pode ter. Tudo isso já mostrava o “virjão detected” em cena, como se profetizassem a vida de um guerreiro que vive a saga mais solitária e menos importante para a sociedade, inclusive para a minha família.

Claro que na adolescência aquele que não é visto mexendo com meninas e ficando com elas, já é comparado com quem? Com gay, claro! Mas isso não colou muito, nem cola, apesar da incompetência psicossocial, um homem heterossexual é um macho e sua raiz de homem que busca a dominância, o seu poder de homem, está lá dentro, e seus órgãos sexuais funcionando de verdade. Daí leitor, o que costuma acontecer quando o moleque chega à conclusão de que eles funcionam de verdade? É… alguém vem e te fala sobre uma certa coisa gostosa de se fazer com seu parceiro ali debaixo.

Por volta dos 12 anos comecei, a arte que considero idiota de me satisfazer sozinho, de se matar no banheiro (ou em outros lugares né?), a masturbação pra falar em termo técnico. E já aconselharia principalmente a todo adolescente, por mais fracassado que possa parecer, aproveite e não se meta com essa porcaria, ou a esqueça se já tiver envolvido com ela! Se você não faz sexo, não fica, não pega mulher, não se masturbe, isso pode tirar mais de tua energia de homem ainda, e te joga num vício e numa zona de conforto que faz com que você não lute verdadeiramente por tua imagem e pela tua confiança como homem. Faça atividades físicas logo, lute até ser bom em algum esporte talvez, divirta-se com algo interessante! Sim, o leitor agora pensa, isso não é problema só de adolescentes cara, homens importantes, jovens, velhos, solteiros, casados, muitos e muitos nisso, compulsivos, horas a fio na frente do pc, imaginações de se estar com uma mulher quando na verdade não se está, mas se está só, qual o suporte psicológico que isso vai realmente te dar? É pouco e alivia a tensão, e não tem como se comparar a um sexo bem feito, você sabe do que estou falando leitor, pra mim fica uma questão de honra. Estou sozinho nisso daqui, essa imagem passa longe da realidade, gozei sim, mas onde está uma bela e jovem gata, nua e sorridente ao fim do ato? Pois é…

Pois bem, ainda com uma vida social sofrível e um círculo de amizades muito fraco, andando com outros desfavorecidos na escala de valor sexual e social da turma, situações em que me aproximava por iniciativa própria procurando amizade, o relacionamento com meninas vai aumentando a medida que tua maturidade aumenta. Mas naquele estigma nojento dos menos favorecidos na escala de poder social escolar, a ausência de competências sócio-emocionais que justamente são desenvolvidas pelos meninos e meninas bem sucedidos e relacionados, pesava contra mim. A virgindade é distinta pra cada sexo, conforme a sociedade e a natureza dizem, o tempo do perdão pro menino termina, os caras mais espertos logo começam a perguntar se já fez isso, já fez aquilo assim e assim. É o sistema, a sociedade, e ela não é justa, quem não faz sexo não será poupado de ser posto em cheque como pessoa, seu valor pessoal será sempre, sempre testado, provado, principalmente pelo critério que o padrão genético que as mulheres foram programadas pra ter, consciente, subconsciente e inconscientemente o julgarão! Nessas horas a espinha gelava, mas não tanto quanto a ideia de tentar demonstrar o interesse, vago, distante, dentro do meu íntimo que eu podia ter por alguma daquelas gatas ao meu redor. Longe de mim tentar, naquele tempo, me aproximar de alguma com a certeza da rejeição inevitável, segundo todas as probabilidades, como as experiências já vividas no passado diziam.

O menino vai crescendo e junto com ele o desejo de estar com uma garota de mesma idade, compartilhar interesses e o desejo de receber carinho, atenção e aceitação da mesma, cresce. Ser virgem é coisa séria, moleques aproveitam para se divertir, mas o que é sério e vira coisa divertida pra muitos, infelizmente o valor de um homem virgem para a sociedade é quase nenhum. Mesmo sob toda a carga de problemas, tendo já me tornado um adolescente por vezes melancólico devido às frustrações, continuava tentando o que sentia a necessidade de uma escalada social, o que minha pobreza sempre foi fiel amiga da minha condição social complicada. Também um garoto de coração simples envolvido com pragas do tipo masturbação, tinha sua alegria de se relacionar com as pessoas mesmo em desvantagem.

Me lembro de uma festinha na escola, vestido com as roupas que não chamavam a atenção, estava com amigos e tentei de novo me aproximar de uma menina. Legal, eu comecei a conversa, consegui levar a conversa por um tempo e tive boa recepção pela mesma, mas veja bem, chegar até aí já foi complicado, agora eu teria que me tornar interessante sexualmente e não só falar algumas coisas básicas. A coisa não passou daquele ponto, não havia mais energia ou desenvoltura social em mim disponível pra levar aquilo além de onde tinha ido. Te falo, leitor, que diversas foram as situações como essa: a coisa começa, mas não há calor o suficiente pra uma chama que leve a menina a se envolver mesmo. O interesse acontece por parte delas, mas ele vai morrendo até eu passar a ser ignorado. Enfim, a coisa simplesmente se apaga, o pouco que investi e lutei logo se apaga, com algum erro meu, como num campo minado, em que qualquer passo fora de uma gama enorme de variáveis incide em fracasso com a mulher. E o virjão continua, amigos!

Como um cara pouco experiente no feeling da sexualidade, no lidar com uma mulher, chegou o tempo em que estudava informática, quando uma menina até bonita, cabelão liso e preto, sentava ao meu um lado compartilhando um dos computadores nas aulas do SENAC-RJ. Não é que dessa vez, sem fazer esforço, só conversando das coisas normais, conversas legais pra ela, a menina então se interessou mesmo por mim? Passou a ficar me olhando muito e a se arrumar mais pra me impressionar, enquanto vivia criticando o namorado dela. Mas eu o que fiz? Desacredito em tudo, em mulheres principalmente, não acreditei muito naquele tempo no que via ali, acreditem o quão otário eu fui! Chegamos a conversar via telefone, o tempo passou e nada rolou, só hoje pude perceber tudo isso. Inibição, numa zoninha de conforto de ficar me matando no banheiro igual a um otário, um virgem como eu deve reconhecer suas própria falhas e assumir a responsabilidade de lutar até a morte pela sua vitória pessoal como homem.

Virgem de 33 anos

Os problemas financeiros continuaram, não conseguindo me estabelecer num bom emprego devido também à toda essa dificuldade relacional. Na verdade, dentro de mim é muito difícil. Essa é a parte mais difícil quando falo o quanto a abstinência sexual, a necessidade não suprida e a carência trazem um peso enorme a um homem, deixando-o sobrecarregado, e isso pode chegar a comprometer a capacidade de assimilação, memória e concentração num homem.

Após os 20 anos me envolvendo com novos ambientes sociais, as dificuldades continuam, conheci porém, mais pessoas, novos amigos, mas a falta de desenvoltura em me relacionar com mulheres, a falta de interesse que naturalmente parte delas, me mantiveram numa luta. É como um videogame, onde você é posto pra aprender a jogar direto no mais alto nível de dificuldade, é a vida relacional nível “very hard”.

Este 2014 tem sido especialmente louco, porque resolvi dar minha cara a tapa de vez… tendo decidido de uma vez por todas me lançar ao combate pelo coração das mulheres, me tornar capaz e atraente afinal. Numa situação em que avistei uma morena: cabelão longo, gata com jeito sensual, bumbum lindo, fiquei de olho nela por minutos, ela olhou de volta, retornou bastante o seu olhar, eu fiz meu jogo de corpo e de olhar. Ela estava com os típicos “escudeiros”, um amigo e uma amiga junto dela aqui na praça da cidade. Após o termino da aula de dança que ela assistia, eles foram saindo, eu então, colocando a “faca entre os dentes”, encarei a realidade e não pude aceitar ela ir sem eu fazer alguma coisa. Ela era o que queria, mas… leitor, eu tive de rir com aquilo: enquanto eles caminhavam os 3 em minha direção, ela estando ao centro, me aproximei olhando em seus olhos azuis e então, em tom de sussurro, rapidamente pedi seu número de telefone, queria poder conversar a sós. Não teve jeito, a amiga dela se meteu e me deu o fora no lugar dela. Foi engraçado, porque ficamos sem graça os dois, eu olhei pra lá de novo e ela não parecia concordar ou discordar, aparentava era ter ficado frustrada com a situação, eu então acabei por me retirar sem graça e depois fiquei pensando em como aquilo poderia ter se desenrolado.

Hoje em dia me concentro em encarar esse campo de batalha onde qualquer pisada fora do lugar pode fazer a mulher te esnobar ou ignorar, vida relacional pra o virjão no estilo hardcore. O que farei da próxima vez?

A luta continua leitores, já estive perto do sucesso. Esse ano já fui ignorado, esnobado, por pelo menos umas 10 garotas, mas vamos porque é até morrer. Hoje, como um espartano vou à guerra! Já quis que gostassem de mim como sou, mas hoje andei estudando e posso concluir que é preciso ser melhor, ser eu mesmo mas um “eu” melhor e não esperar por quem por possa vir aí a se interessar por mim sem que eu tome minha posição de homem e buscar meu interesse e ideais como macho que precisa exercer bem sua função, que é ativa e não passiva.

Fica então minha pergunta final, respondam se a vocês interessar: Estando nessa condição, nem tanto atraente fisicamente, tendo uma posição sem destaque no meu meio social, desempregado ainda, com dificuldade de conversar, flertar com as mulheres, como eu posso finalmente conquistar e sair com uma mulher atraente a mim, que seja do meu interesse, sem ter que passar a vergonha de mostrar como sou incompetente pra mim mesmo pagando pelo serviço de uma prostituta? Você saberia essa resposta caro leitor?

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Pode ser útil: Vídeo da Luiza sobre como sobreviver ao bullying

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About Author

Daniel Gonçalves

Colaborando com o site Pergunte a uma Mulher, que como guerreiro continua pensando além de suas limitações pra alcançar seus objetivos, também procurando pela batida perfeita para que enfim as melhores atitudes criem as melhores notas no final do jogo. Ok... ainda virgem, mas não desesperado, solteiro sim, mas em sua versão mais sexy que nunca e mais forte como homem que nunca!