Entrevista com um casal nudista/naturista:

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Quem é que nunca quis saber qual é a de uma praia de nudismo? Deixar os balangandãs de fora, sair um pouco da rotina social e curtir a liberdade? Se a mulher sofrer com candidíase e deixar a perereca de fora é melhor ainda para curar a maldita, rsrs. Eu já quis curtir essa “vibe” por diversas vezes, só me faltou a coragem.

Enquanto nada acontece, resolvi ir atrás de um pouco mais de informação com um casal de naturista! Vamos lá!

Entrevista casal nudista/naturista

** Se apresentem para a gente.

Meu nome é Frederico Rudell, tenho 39 anos de idade e sou casado com a Carmen Rudell (Carminha) de 33 anos. Temos duas filhas, a mais velha de 10 anos e menor que acabou de fazer 9. Moramos no Canadá, na província de Ontario, em uma cidade de 10.000 habitantes chamada Hawkesbury situada entre Ottawa e Montreal às margens do rio Ottawa. Eu sou proprietário de uma franchise de fast food e a Carminha é contadora, tendo seu próprio escritório de contabilidade aqui em casa.

** Tem gente que vê o nudismo apenas como “uma galera pagando peitinho e bunzanfa na praia” e não param para pensar que há toda uma filosofia por trás disso. Vocês poderiam falar a respeito da ideia do nudismo para a gente?

Frederico: Nudismo é um estilo de vida em harmonia com a natureza expresso através da nudez social, ou seja, a prática de atividades por um grupo de pessoas em estado de nudez. É caracterizado pelo respeito entre todos os praticantes independentemente de quaisquer diferenças de opinião como também respeito pelo meio ambiente. A nudez social é assexual, ou seja, não há conotação sexual alguma ligada ao fato de que homens e mulheres estão juntos completamente nus. No contexto norte-americano, as palavras nudismo e naturismo são sinônimos, sendo que eu prefiro usar o termo nudismo por achar que expressa melhor as atividades que nossa família está envolvida. 

** Toda a sua família pratica o nudismo? O que vocês costumam fazer?

Frederico:  Sim, toda a família pratica o nudismo. Primeiramente não usamos roupa em casa, sempre estamos todos nus. Durante o verão, frequentamos assiduamente uma praia de rio chamada Oka beach, localizada a cerca de 35 Km de Hawkesbury às margens do rio Ottawa. Essa praia tem uma área enorme, de vários quilômetros de extensão, aonde o uso de roupa de banho é opcional. Durante o inverno, geralmente no March break quando as meninas tem uma semana de férias escolares, vamos até a Florida e ficamos em Haulover Beach, a maior praia de nudismo do estado. Além disso, eu e Carminha participamos de vários eventos nudistas urbanos em Ontario, Québec, e mesmo nos Estados Unidos.

Um esclarecimento se faz necessário. Os leitores devem estar se perguntando : o quê? Nudismo no Canadá na neve no meio dos esquimós? Bem, não é bem assim, entre maio e setembro, o sul do Canadá é muito quente, às vezes chega perto dos 40 graus, então o frio não é um impedimento nessa época.

Carminha : Além do que o Fred disse acima, eu também queria colocar que durante o verão eu trabalho pelada ao ar livre! Temos um quintal gramado enorme que acaba direto no rio Ottawa, então eu transfiro todo o meu escritório para uma cadeira de praia no quintal – laptop, arquivos, celular, etc., e faço toda a contabilidade dos meus clientes no quintal. Adoro meu uniforme de trabalho… rsrsrsrs! …além de fresquinho é gratuito… rsrsrsrs! Minha casa é cercada por árvores e não tem vizinho em volta, portanto a privacidade é quase total! 

** Então quer dizer que não apenas vocês dois, mas também suas filhas ainda crianças praticam o nudismo? Mesmo que seja em público? Como vocês lidam com isso? E como fazem para proteger as crianças de gente mal intencionada?

Carminha: Sim, assim que largaram as fraldas passamos a deixá-las peladinhas o dia inteiro e as duas sempre nos acompanharam às praias nudistas. As meninas são completamente à vontade com seu corpos, com sua nudez, e também não sentem constrangimento algum de estarem nuas ao redor de homens nus. Para elas o corpo humano não apresenta mistério ou tabu algum, não é uma coisa feia, vergonhosa, que deve ser escondida.  Gente mal intencionada existe em qualquer situação e lugar, desta forma, estamos sempre de olho nelas, além do que elas sabem perfeitamente o que é abuso sexual em todas as suas formas e sabem como identificar se alguém tentar abordá-las com más intenções.

** E você Fred, não se importa que os homens vejam sua mulher e filhas peladas? Você tenta acreditar que nunca olham elas na maldade? rsrs

Frederico: Não, não me importo nem um pouco, elas ficam nuas nas praias e é claro que quem estiver ao redor vai vê-las peladas, qual é o problema? Quanto à possível maldade de alguns, isso faz parte da natureza humana e é independente do fato delas três estarem nuas ou vestidas. O importante é que sempre eu e minha mulher estamos sempre de olho nas meninas e elas nunca se afastam demasiadamente.

** E como começou o gosto por nudismo? Ambos já gostavam e se conheceram através desse gosto em comum, ou foi um que apresentou ao outro esse mundo?

Carminha: Acredito que já nasci com vocação para ser nudista, pois desde criança sempre adorei ficar sem roupa. Meus pais não gostavam que eu ficasse pelada em casa, mas sempre que eles saíam eu tirava tudo e ficava nua o tempo todo. Quando entrei na adolescência, fiquei um pouco rebelde e passei a ficar pelada em casa mesmo com os meus pais presentes, o que gerou alguns conflitos durante um tempo, mas papai acabou jogando a toalha e aceitando que tinha uma filha nudista. Ele até passou a levar um pouco na brincadeira e quando eu saía da linha ele ficava me chamando de rebelde sem calça …rsrsrsrs!

Quando eu tinha 16 anos, nos mudamos para Ottawa no Canadá e logo fiquei sabendo que na província de Ontario a mulher pode legalmente ficar em público com os seios à mostra, desta forma passei a frequentar a praia de Mooney’s Bay sem o sutiã do biquíni. Achei tao deliciosa a sensação de liberdade e bem estar que é ficar com o corpo quase totalmente exposto ao sol e ao vento que, depois do primeiro dia, nunca mais usei sutiã na praia. Havia também um pouco de exibicionismo meu nessa fase, pois eu curtia a atenção que chamava, pois Mooney’s Bay não é uma praia topless.  Depois, quando me casei com o Fred e nos mudamos para Hawkesbury, passamos a frequentar Oka e a transição para o nudismo social foi muito fácil.

Frederico: Eu conheci a Carminha em Ottawa e nessa época ela já fazia topless nas praias urbanas que existem nas margens dos rios Ottawa e Rideau. Começamos a namorar e eu aceitei na boa ela de topless no verão. Quando nos casamos eu já tinha me tornado um adepto do nudismo e passamos a fazer juntos em Oka.

Entrevista casal nudista/naturista

** Caminha, eu senti em você um certo prazer não só pelo nudismo em si, mas também por ser desejada. Estou errada? Sei que nudismo não necessariamente tem a ver com exibicionismo, mas no seu caso você não acha eles um pouco primos?

Carminha: Olha, isso depende muito da situação e do ponto de vista de cada um. Não somente o nudismo pode ser primo do exibicionismo como também a minissaia, o biquíni, a fantasia de carnaval, etc. No meu caso, eu creio que houveram algumas fases diferentes. No inicio eu tirava a roupa em casa porque gostava, me sentia bem, mas também um pouco para desafiar a disciplina lá de casa já que papai, mamãe e meus dois irmãos mais velhos ficavam todos em cima de mim me dizendo o que fazer, como me comportar, então eu os desafiava ficando pelada pela casa o dia inteiro. Depois, quando passei a fazer topless nas praias familiares de Ottawa, eu admito que tinha exibicionismo meu sim, eu adorava chamar atenção ficando de peito de fora no meio da galera. Entretanto, agora eu curto o nudismo mais pelo prazer em si, pelo prazer de expor o corpo inteiro ao sol, de não ter nada apertando, de ficar livre. Existe muito pouco de exibicionismo agora, até porque eu não ligo se tem gente olhando ou não.

** Vocês mencionaram que além das praias vocês também participam de eventos nudistas durante o verão. Poderiam fornecer detalhes? Contem tudinho….rsrs.  

Frederico: Faz quatro anos que Carminha e eu participamos do World Naked Bike Ride (WNBR) de Montreal. O WNBR é um evento no qual os ciclistas percorrem juntos uma rota cortando a cidade completamente nus em pleno dia. Esse evento promove um meio ambiente sem poluição. Também participamos nos últimos dois anos do Bare to Breakers, que é um grupo que participa de uma corrida a pé em San Francisco chamada Bay to Breakers, que corta todo o centro da cidade num percurso de 12 Km. Os integrantes do grupo Bare to Breakers participam desse evento completamente nus, só de tênis e meia e a maioria parte percorre todo o trajeto andando em vez de correndo.

** Ainda que a ideia seja bonita, convenhamos que ainda tem muita gente má intencionada no meio. Tem inclusive gente tarada que frequenta ambientes nudistas só para ficar olhando os outros e curtir uma “punheta depois”. Sei que não pode ficar de “barraca armada” por lá, mas convenhamos que nem sempre isso intimida certas pessoas que procuram suas estratégias para fazer o que querem, nem que para isso precisem se esconder nos fundos da praia, rs. O que vocês têm a dizer a respeito disso?

Frederico: Homem tarado existe em qualquer lugar e o meio nudista não é exceção. Entretanto, os nudistas não aceitam comportamento inapropriado de quem quer que seja e, nas raras vezes em que isso ocorre, o indivíduo é convidado a se retirar. Fazemos questão absoluta de manter um ambiente familiar e se algum homem se excita assistindo a mulherada pelada e sente necessidade de tocar uma punheta, então que o faça dentro d’água.

** Um dos empecilhos para eu não frequentar praias de nudismo é o medo de ter alguém com um celular ou uma câmera escondida e depois jogar tudo na Internet. Isso é um perigo real constante ou é raro acontecer? Que precauções poderíamos tomar para evitarmos esse tipo de coisa?

Carminha: Bem, em primeiro lugar, não há sentido em uma pessoa praticar nudismo e ter receio ou vergonha de ser vista nua certo? Qual é o problema? Por que se preocupar sobre o que as pessoas vão pensar? O nudista deve assumir sua própria nudez como a coisa mais natural do mundo e não tentar esconder o fato de que é nudista. Em segundo lugar, se uma pessoa descobrir na net uma foto sua nua, por que essa pessoa descobriu? Porque estava procurando foto de gente pelada certo? Então….ACHOUUUUUUU!!!!….rsrsrsrs!! Então, se aparecer na internet uma foto minha, ou do meu marido, ou das minhas filhas, eu não vejo isso como um “perigo” e não estou nem aí se possa ser raro ou constante. Eu não tenho vergonha e nem acho que é humilhação, então minha resposta é essa. Podem tirar fotos de todos nós peladinhos e colocar na net…somos nudistas sim e não temos nada a esconder!!!!

 Frederico: Depois que começamos a participar do WNBR e do Bare to Breakers já saíram algumas fotos nossas na net, os dois nuzinhos. Quando descubro uma, eu chamo a Carminha e as meninas para verem se ficou bonito e depois mando o link para nossos amigos nudistas poderem ver também. Depois disso, volto a fazer o que eu estava fazendo antes. Só isso, sem neurose, medo ou paranoia alguma.

** Entendi a teoria do nudismo, de não ver maldade na nudez, mas não há o mínimo prazer de ser visto nu? Seria só pela liberdade, sem nenhuma carga fetichista nisso? 

Frederico: creio que isso depende da situação. Quando estou em uma praia aonde todos estão pelados como nós, não existe essa de prazer em ser visto nu, na verdade eu nem me lembro que estou pelado. Entretanto, quando participo de um evento de nudismo urbano como o WNBR ou o Bare to Breakers a sensação fica um pouco diferente e existe sim um certo prazer em estar nu no meio da cidade entre dezenas de milhares de pessoas vestidas. É uma sensação extremamente diferente de todas as outras que já senti e admito que possa haver um pouco de exibicionismo de minha parte.

** E se vocês encontrassem um amigão ou alguém da família na praia? rs

Carminha: o que você faria se estivesse na praia de biquíni daqueles bem micro e encontrasse um amigão ou alguém da família? Iria cumprimentar a pessoa e muito provavelmente iniciar um papo, certo? Pois é exatamente isso que faço quando estou pelada e encontro algum conhecido na praia de forma inesperada! Ou seja, não faço nada diferente do que se estivesse vestida. Já mencionei acima que na praia de Oka a nudez é opcional e tem sempre homens de short por lá, então um fato engraçado que ocorreu agora, coisa de um mês atrás, foi que eu estava saindo da água e dei de cara com um conhecido que nós costumamos encontrar nas reuniões da escola das meninas, ele é pai de um coleguinha delas e estava acompanhado do garoto, os dois de short até os joelhos.  É impossível descrever a cara de espanto dos dois quando me viram pelada, a cara do pai então, não só de espanto mas também aquela expressão tipo “te peguei com a boca na botija”. Tenho certeza que ele esperava que eu ficasse constrangidíssima, sem saber aonde me esconder, mas é claro que minha reação foi justamente a oposta, cumprimentei o cara na maior e iniciei um papo do tipo como estava a esposa, aquela coisa. Ainda chamei as meninas dizendo que o amiguinho delas estava ali e o garoto só faltou ter um infarto aos 10 anos ao ver as coleguinhas peladas. O cara não sabia como se comportar e a verdade é que eu fiquei com total controle da situação e o constrangido era o cara.

** Eu no lugar deles iria ficar olhando o corpo de vocês kkkkk, não por eu ser uma tarada, mas sim porque é algo diferente do meu dia a dia, sabe? Vocês conseguem detectar um olhar curioso de um olhar do tipo “imagine eu mamando nos peitos dessa deusa?” kkkkkkk. Sei lá, se tivesse um homem olhando os meus peitos acho que eu ficaria confusa em relação ao que pensar.

Carminha: É importante mencionar que existe um elemento cultural muito forte que diferencia suas perguntas de nossas respostas. O canadense em geral é extremamente discreto, não gosta de fazer alarde, não tem o hábito de zoar os outros e é ensinado desde que entra pra escola que não deve deixar ninguém embaraçado, então não existe muito essa de ficar olhando tipo esbugalhado, ou com sorrizinhos, piadinhas, essas coisas. Em geral, as olhadas são extremamente discretas. Agora, minha postura é: quer olhar pode olhar à vontade, eu não tenho problema nenhum com isso nem sinto vergonha alguma.

Entrevista casal nudista/naturista

** Vocês frequentam as praias de nudismo e dividem esse gosto com a família de vocês ou é algo que vocês deixam em off para não gerar polemicas desnecessárias?

Carminha: A minha família não gosta do nosso nudismo principalmente por causa das meninas. Papai e mamãe acham errado que elas fiquem peladas na praia e nos culpam por isso. Eles também esperavam que o Fred proibisse meu nudismo e são desapontados pois ele incentiva ao máximo. Desta forma, nunca tocamos em nada que se refira a nudismo com eles e as coisas tem andado de forma normal.

** Sei não viu, às vezes acho que o Fred curte não só um nudismo, mas também algo meio fetichista e não sei nem se ele já parou para pensar a respeito kkkkkkk.

Frederico: Eu sempre incentivei a Carminha porque sei que ela adora o nudismo e seria muio injusto de minha parte tentar coibi-la, além do mais, eu nunca me importei com o fato de homens a verem nua. Eu sei que ela não se importa, então porque eu iria? Não faria nenhum sentido. Quanto a um possível fetiche de minha parte talvez isso possa existir em se tratando de nudismo urbano. Quando começamos a pensar em participar de eventos urbanos, nós comentamos muito um com o outro do que sentiríamos ao estarmos pelados no meio de Montreal ou San Francisco e eu disse pra Carminha que eu iria sentir prazer e orgulho ao vê-la pelada em um centro urbano em plena luz do dia, então se isso é fetiche, então pronto, está dito!

** Sei que cada praia de nudismo deve ter a sua regra, porém, vocês poderiam dizer certas regras que são comuns a todas elas? Vocês também podem citar algumas peculiaridades por aqui!

Frederico: Olha, usar de bom senso é a primeira regra; a pessoa deve se comportar de maneira idêntica à que se comporta quando vai à praia comum. Fora isso, existem algumas coisas que são enfatizadas, como nunca ter uma atitude mais sexualizada, nunca tirar foto de alguém ou de um grupo sem a permissão de todos, sempre colocar uma toalha forrando cadeiras ou bancos que sejam usados por mais de uma pessoa, e também não ficar olhando as pessoas peladas de forma insistente.

Em termos de peculiaridades, Oka beach é uma praia um pouco diferente, pois é situada dentro de um parque florestal que tem varias atividades, tais como camping, trilhas para ciclismo, etc. Sempre praticou-se o nudismo em Oka, creio que desde os anos 30, mas com o aumento do número de frequentadores do parque e da praia a administração tentou proibir a prática do nudismo. A Federation of Canadian Naturists então entrou com um processo contra a administração do Parque de Oka e ganhou a causa, fazendo com que a administração do parque não pudesse mais coibir a pratica do nudismo na praia. Desta forma, a parte leste da praia ficou designada como clothing optional (traje de banho opcional), então como o nudismo não é obrigatório, a presença de pessoas vestidas é livre. Essa é uma das peculiaridades da parte leste da praia de Oka, a convivência tranquila entre nudistas e não-nudistas sem a presença de polícia e sem nunca ter havido problema algum. Vale ressaltar que os pelados são imensa maioria.

** Genericamente falando, como vocês classificam o perfil dessas pessoas que vão vestidas em praias nudistas? Tirando os curiosos, claro!

Carminha: Creio que são pessoas que gostam do nudismo, querem estar entre nudistas mas por alguma razão não se sentem bem ou com coragem para ficarem peladas. Para alguns, ficar sem roupa ainda é um tabu tão grande que é uma barreira impossível de quebrar.

** Vocês teriam alguma história engraçada, ou até mesmo trágica para contar sobre algo que aconteceu “nesse mundo”?

Carminha: Eu estava caminhando com o Fred até o fim da praia, que fica bem longe da parte mais cheia e é isolada e vazia. Então teve uma hora que olhei pro lado e tinha dois caras gays em pé transando. O de trás comendo e o da frente sendo comido e se masturbando. Eu quis parar e ficar olhando, mas o Fred não deixou. Aí andamos mais uns 100 metros e vimos a seguinte cena: numa parte em que a areia dava à uma entradinha na mata, estava um cara de quatro, sendo comido por outro e mais uns quarto ou cinco na fila esperando sua vez de enrabar o passivo. Estava a maior festa e eu insisti com o Fred para assistirmos um pouquinho, mas ele recusou-se peremptoriamente. Foi a única vez que vi qualquer coisa sexual em todos esses anos que frequento Oka.

** Vocês atualmente moram no exterior. Há algo nas praias naturistas daí que difere das daqui, ou a essência é a mesma?

Frederico: A essência é a mesma, mas como mencionei acima, aqui no Canadá e nos Estados Unidos não há necessidade de policiamento, proibição de homem desacompanhado ou mesmo de pessoas vestidas. Todos convivem em harmonia sem o menor problema.

** Também entendi que é “regra” não se excitar, até porque essa liberdade não pode ser confundida com sexo ou até mesmo com promiscuidade, porém, fala a verdade: vocês nunca ficaram excitados com ninguém da praia? rsrs. Não sei se vocês iriam assumir isso “um na frente do outro”, porém, convenhamos que o tesão nem sempre bate com a teoria e com os bons modos que o ambiente prega!

Carminha: Eu tinha tesão de ficar topless em praia comum, praia que não era de topless, coisa de exibicionismo mesmo, eu admito, mas sentir tesão de ver homem pelado na praia eu nunca tive. Eu já ví milhares de homens pelados, portanto pinto e bunda de fora fazem parte da minha vida. Agora, eu sinto prazer de ver homem sarado, tipo alto, musculoso, queimado de sol e com o pinto carequinha. Mas isso não é ficar excitada e sim apreciar homem bonito.

Frederico: Esse negócio de ficar excitado acontece com quem vai à praia de nudismo pela primeira vez ou então muito esporadicamente, da segunda ou terceira vez que o cara vai já acostuma totalmente. É aquela coisa, se você pegar um muçulmano daqueles bem tradicionais que vive no oriente médio e soltar na praia de Ipanema, o cara vai ficar excitadíssimo com a mulherada de biquíni, isso é novidade pra ele. A mesma coisa acontece com o indivíduo que vai pela primeira vez à uma praia de nudismo.

Entrevista casal nudista/naturista

Ps sobre a foto acima: será que não dói a bunda ficar em cima desse monte de pedrinha (mesmo com canga)? O.o

** A propósito, vocês teriam alguns macetes para dar para quem ficou de barraca armada “por acidente” e não sabe como proceder? kkk

Frederico: A primeira coisa é sentar na areia, tentar disfarçar e pensar em alguma coisa não excitante, como o calo da avó ou coisa parecida. Se não broxar com esses pensamentos, então a solução é apontar para o céu e gritar a plenos pulmões: OLHA O DISCO VOADOR! Quando todo mundo estiver olhando pra cima procurando o tal disco voador, o cara deve sair correndo e entrar na água, rsrs.

** E em relação ao olhar, tem que controlar para não ficar olhando certas partes das pessoas para não constranger ninguém, ou o povo interpreta isso como algo natural mesmo? Tipo reflexo! 

Frederico: Só quem está se iniciando no nudismo pode sentir essa necessidade, depois acostuma, mas quem quiser olhar é só usar óculos escuros e dar aquela disfarçada: segue com a cabeça reta mas contorce os olhos até não poder mais!

** Eu sei que não pode, mas você já soube de casos de alguma putaria que rolou nesses lugares?! O povo adora uma putaria kkkk.

Frederico: A Carminha já mencionou acima o caso dos gays se comendo. Essa foi a única putaria que vimos até agora, mas foi numa parte muito isolada da praia.

** Agora uma perguntinha de criança básica: qual é a sensação de ficar nu em público? Tem um leitor do blog que pratica nudismo e disse que no começo demorou para se acostumar, porque quando batia um ventinho a barraca logo armava. Ele diz que ficar pelado em si é literalmente excitante kkkk.

Frederico: Depende da situação. Se for em uma praia ou clube nudista é uma sensação semelhante a de ficar de calção na praia, só que com mais liberdade, mais prazer, claro que desde que a pessoa esteja acostumada. Não existe nada apertando ou molhado, e realmente a sensação de ficar com o pinto (ou os seios no caso da mulher) solto e balançando é muito boa. Agora, ficar nu em um evento urbano é completamente diferente. Minha esposa e eu, juntos, completamente pelados em pleno centro de Montreal ou San Francisco no meio de todo mundo provocamos uma sensação de euforia sem igual. Os pelados chamam realmente atenção e a multidão reage com bom humor trazendo uma sensação inigualável.

** Quais dicas vocês dariam para quem quer começar a frequentar as praias nudistas?

Frederico: Aqueles que têm vontade ou curiosidade devem começar a fazê-lo sem medo, receio ou vergonha. Simplesmente apareçam na praia e fiquem pelados lá numa boa, curtindo o sol e a natureza.

** Por fim, vocês devem conhecer muitas praias legais!!! Quais vocês recomendariam no Brasil e no exterior e por quê?

Frederico: Só frequentamos até agora quatro praias nudistas e recomendamos todas. No Canadá frequentamos Oka Beach que já descrevemos mais acima. Nos Estados Unidos conhecemos duas: a primeira é Gunnison beach em New Jersey, uma praia de mar que oferece uma vista linda do Brooklyn e de Vezarrano Narrows Bridge. Durante o verão, essa praia chega a atrair cerca de 5.000 nudistas num fim de semana de sol. A segunda é Haulover Beach em Miami. Essa praia fica num ambiente urbano com arranha céus em frente e ruas e estacionamento com carros e gente passando, portanto, se você é meio envergonhado já viu, vai ficar meio sem jeito. No Brasil conhecemos apenas a praia do Abricó no Rio de Janeiro, que é muito legal.

** Existem praias pagas ou geralmente são todas gratuitas mesmo? E se você levar algum item que não pode entrar, eles têm um lugar para guardá-los e pegar depois ou não pode nem chegar lá com eles?

Frederico: Em Oka você paga para entrar no parque florestal, já que essa é a única maneira de atingir a praia, nas outras que mencionei nos Estados Unidos você paga o estacionamento. Não existe item que não pode entrar, se é legal portar o item então pode entrar.

**Mais alguma coisa para acrescentar?!

Frederico: Foi um prazer muito grande fazer a entrevista. Se algum leitor tiver alguma pergunta específica pode me escrever que responderei prontamente.

[email protected]

** Eu que agradeço, dei boas risadas com vocês e sua mulher é uma figura!! Se morasse em Curitiba já ia fazer amizade e marcar um evento peladona para me iniciar no meio kkkkk

Carminha: Muito obrigada!!!

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Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.