7 Dicas práticas para conseguir sair de um relacionamento abusivo

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Nos textos anteriores, falei sobre como reconhecer os sinais de uma relação abusiva e quais as causas que influenciam as pessoas a permanecerem nela. Viu que está numa relação autodestrutiva e que tem se relacionado com alguém violento? Esse texto busca te dar uma singela luz sobre o que fazer.

7 Dicas práticas para conseguir sair de um relacionamento abusivo:

  1. Honestidade

A primeira coisa a se fazer é assumir que é vítima de uma violência doméstica. Não, aquela agressão que você sofreu não foi uma fatalidade e ela irá se repetir muitas e muitas vezes, até que você ponha um ponto final. Converse com seus familiares ou quem seja próximo a você sobre seu relacionamento e esteja aberta a ouvir o que for dito. Sua cegueira em relação ao seu parceiro é temporária e esse primeiro passo é crucial para retirar a venda dos seus olhos.

  1. Afaste-se

Não digo que você tenha que se mudar para o Canadá. Mas no momento da explosão, um passo pra trás pode ser suficiente. Quero que relembre da sua última briga. Quando seu(ua) parceiro(a) gritava com você, a tendência natural é de aproximar. Afinal, a intenção dele(a) é te colocar na mesma dinâmica. Mas eu preciso que você passe a fazer o contrário: quando ele começar a esbravejar o quanto você não tem valor, dê um passo para trás. Só assim você passará a mensagem de rompimento com esse ciclo. Visualmente, pode não parecer muita coisa. Mas o inconsciente dele captará a mensagem de que não está causando o efeito esperado e passará a agir de outro modo. De um modo menos destrutivo.

  1. Tolerância Zero

Caso você perceba que seu relacionamento tende a ser violento, mas ainda não o é, imponha-se. Não aceite nenhum tipo de abuso, intimidação ou coerção moral/física, nem sequer por uma vez. Lembre-se: somos feitos de condicionamentos. Se alguém é violento uma vez e você responde positivamente a isso, haverá a segunda, terceira, quarta vez…

  1. Estudo de Opções

Caso você seja vítima de violência doméstica, o primeiro passo é estudar suas opções. Ao contrário do que você pensa, qualquer que seja sua situação, você tem sim algumas saídas:

4.1. Procure saber se sua cidade conta com um Centro Integrado de Apoio à Mulher ou uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). As denúncias podem ser de caráter preventivo (ainda não aconteceu, mas está prestes a acontecer) ou repressivo (já aconteceu ou ainda tem acontecido). Se possível, leve alguém de sua confiança para que possa te ajudar nesse momento de extrema fragilidade.

4.2. Caso não haja uma Delegacia Especializada, faça o registro do boletim de ocorrência em uma Delegacia Comum ou até mesmo pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), que funciona 24 horas por dia.

4.3. Havendo necessidade de afastar o(a) agressor(a), com base na Lei Maria da Penha, peça uma medida protetiva de caráter urgente. Saiba que você tem direito a um defensor público, caso não possa pagar um advogado.

4.4. Pesquise sobre Organizações Não Governamentais (ONGs), Grupos de Auto Ajuda, Assistência Social ou Conselho Municipal voltados à mulher. Essas ONGS fornecem um apoio psicológico que é fundamental nessa fase.

  1. Prestação de Alimentos

A sua dependência financeira não é empecilho para que você se proteja. Caso você tenha filhos menores com o agressor, exija a prestação de alimentos, medida que já é prevista pela Lei Maria da Penha. Ao contrário do que muitos pensam, essa prestação não é tida como punição. Caso a vítima de agressão não trabalhe fora do âmbito doméstico, ela será, a princípio, o único meio capaz de sustentar os filhos que estavam em risco num ambiente hostil.

  1. Evite álcool e drogas

Caso esteja em uma situação de vulnerabilidade, seja você o agressor ou a vítima, substâncias como o álcool podem atrapalhar seu discernimento e a escapada de situações perigosas, trazendo consequências desastrosas para o relacionamento. Evite fazer uso delas até que esteja em um ambiente seguro.

  1. Paciência

Tenha paciência consigo e peça também para seus familiares. Ser vítima de uma violência doméstica deixa grandes traumas, físicos e emocionais. E leva tempo até cicatrizar. Você sobreviveu ao que era mais difícil ao conseguir pôr um ponto final nisso. Não deixe que sentimentos negativos, como culpa ou raiva, tenham força sobre você. Você agora tem uma nova chance. Aproveite-a.

Homens ou mulheres, denunciem: Disk 180

Ou se quiserem apenas conversar, Disk 141: Telefone do CVV, que vale não só para quem sofre violência doméstica, como pessoas que estão sofrendo com depressão, vontades suicidas, etc.

Procure ajuda, você pensa que está, mas não está sozinho(a).

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Semana que vem postarei meu último texto: um bate papo direto contigo, agressor. Só não sei se você sabe disso.

Textos anteriores a esse:

1- Como saber se você em um relacionamento abusivo?

2- O que leva uma pessoa a permanecer em um relacionamento abusivo?

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About Author

N.S.

Ex-Psicóloga. Ex-Delegada. Postarei textos semanalmente afim de ajudar aqueles que sofrem violência doméstica/ relacionamentos tóxicos, talvez quatro. Por meio deles, espero que encontre sua paz! =)