O cara do Correio

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O cara do Correio

Quando eu e ele, o tal cara do Correio, começamos a ficar, eu mostrei um post que escrevi e serve quase como meu manual de instruções. Nele, eu disse que “Todos os meus casos de amor tiveram uma carta para chamar de sua”, e assim, ele respondeu “ Será que eu vou ganhar uma carta também?”. Engraçado falar de cartas de amor e a possibilidade de endereçá-la justamente ao atendente da agência dos Correios! Sinto-lhe informar, mas não, ele não vai ganhar carta (que se contente com esse post aqui, se um dia tiver o azar de ler). E quem sabe, seja até mesmo melhor do que uma carta.

Também não vou citar nome do fulano e nem descrevê-lo, vai que alguém lê e tem a curiosidade de encontrá-lo em serviço. Vamos chamá-lo de “Sr. Estranho”, como ele mesmo me advertiu ser e sugerindo que me acostumasse.

Vamos lá:

Eu tenho 34 anos e ele 27.

Nossa história de quase amor começou há cerca de um ano atrás, quando eu passei a levar encomendas na agência onde ele trabalha. Eu lembro a cara dele quando cheguei, cara de tarado, jeito de tarado, olho de lobo mau; que medo! Fui no atendente ao lado.

Encontrar agência onde a gente possa escolher o atendente devido ao pouco movimento é coisa rara, por isso continuei, apesar dos olhares insistentes do rapaz.

Ele não fazia meu tipo de jeito algum, mas com o tempo, fui perdendo o medo e ele passou a ser gentil. Eu não precisava mais ficar na fila, ele colocava a fita adesiva sem reclamar quando eu esquecia, etc. Sabe como é, bem dizia Mônica Martelli na propaganda de sua peça “Os homens são de marte e é pra lá que eu vou”: basta ser gentil comigo que me apaixono!

Mentira, não me apaixonei, mas gentileza faz amolecer o coração. Passou o tempo e, com um papo de sistema fora do ar, ele se ofereceu para ficar com minhas encomendas e postaria assim que o sistema voltasse. Para me deixar segura, pediu meu telefone, pois acaso algo de errado acontecesse, me avisaria. Humf, pensei comigo, “tá né, não vou recusar”. Ele ficou adicionado em meu whatsapp e o papo ficou só no “muito obrigada, tá tudo certo, tudo beleza”.

Passou um bom tempo e um belo dia, após sair do correio, chega uma mensagem pedindo desculpas pela ousadia de dizer que eu estava linda naquele dia, que sempre reparava em mim, bla bla ba. Pensei, “até que demorou pra vir o golpe né”! Ousado, mandou de cara que era afim de mim desde a primeira vez que fui la. Perguntou logo se tinha alguma chance, e se tivesse, quando e onde!

Pensei: caramba, que doido, como assim? Que afobado, ansioso. Eu lembrei na hora que já o tinha visto com aliança de casado, mas que fazia um tempo tinha deixado de usar. Não que eu tenha reparado com segundas intenções, mas você já percebeu como reparamos nas mãos de quem atende nesses tipos de situações, como correios, bancos, farmácias e afins? Ok, admito que reparo em mãos, pois gosto de ver as mais bonitas dos homens. Admito também que faço leve associação com tamanho delas com outras partes do corpo. Pra tentar encurtar, coisa que é difícil pra mim, tentei criar vínculo conversando por whatsapp, pra tentar conhecer melhor e porque eu só consigo achar sexy de verdade quem tem bom papo.

Infelizmente, o papo não fluiu e, pra piorar, ele só queria e podia conversar em horário de serviço, o que pra mim é inviável e me cheirou a mulher em casa à noite. Fim de semana então, cadê o Sr. Estranho? Ele dizia que tinha separado fazia uns 3 meses. Nos afastamos, a conversa no correio ficou só no “Oi, tudo bem”, mas passou um tempo e tentamos engatar a amizade de novo, com nada de fluir. Cheguei a ir em outras agências depois que fui lá uma vez e ele se retirou quando eu cheguei sem dar oi. Achei agressiva a atitude, mas não comentei nada. Pensei, “ah, deixa quieto, eu nem queria mesmo”.

Percebi também que eu não devia mais estar na lista de whats dele, pois a foto dele não aparecia mais pra mim. Voltei a postar lá devido aos assaltos em outras agências que eu poderia ir.  Com o tempo, o olhar dele passou de tarado a carinhoso até. Um dia, fui lá, como sempre, e fiquei de pegar o comprovante de postagem depois de fazer serviço ali perto. Quando voltei, ele tinha colocado no para-brisa do meu carro. Fiquei encantada com a gentileza, pensei: “poxa, será que não é você que está sendo criteriosa demais (admito que sou criteriosa, mas isso nunca me garantiu sucesso nos relacionamentos, pelo contrário) e devia baixar a guarda?”. O cara tá aí, sendo fofo há quase 1 ano, e você, medrosa, fugindo de homem há 3 anos?

Cheguei em casa e mandei uma mensagem agradecendo a gentileza. Não sei se fui eu, ou ele, mas a conversa fluiu. No outro dia também foi massa, conversamos o dia todo. Tomei coragem e chamei-o pra sair no fim do expediente daquele mesmo dia (não pensei muito, senão eu perigava desistir).

Não custava tentar, pra que enrolar né? Na hora marcada ele tava lá, eu achando estranho ver ele de corpo inteiro na minha frente, afinal de contas, antes tinha um balcão no meio. Conversa vai, conversa vem, ficamos, respeitosamente, com alguns limites, e até que eu gostei. Voltei feliz pra casa. Mas apesar disso, fui analisando as atitudes dele com relação ao tempo, pois não conseguia acreditar muito em ele ser solteiro.

Em dois dias marcamos de sair de novo – tinha que ser de novo na saída do serviço, mesmo sendo sábado às 13 hrs, pois tinha que “ir ao mercado comprar presente de aniversário para a mãe”. Ok, a gente ficou no carro de novo, eu na linha respeitosa, pois era rua e ele estava com pressa. Tudo rolou de boa, mas no que eu deixo ele, chega uma mensagem no whatsapp me cobrando a falta de iniciativa em passar a mão nele, em deixar ele passar a mão em mim, que eu demorei a responder a mensagem e outras coisas do gênero.

Fiquei assustada, achei de início que era brincadeira, mas não era e tivemos a primeira DR. Chega o dia seguinte, o cara passa o dia todo sem mandar mensagens. Pensei “ué, cadê o cara que tava cobrando atenção ontem?”; questionei e ele responde “domingo é o único dia que tenho para ficar quieto e descansar”. Pensei, não mete essa, isso é cheiro de mulher em casa.

Ele dizia que morava sozinho, mas logo no segundo encontro queria ir pro motel e eu, pra dificultar as coisas, disse que não era chegada a motéis e ele disse: “então vai ser onde quando for?”. Se mora sozinho, como assim? Fechei o tempo, falei que eu não acreditava que ele fosse solteiro – segunda DR em menos de 3 dias. Ele jurou que não, dei uma chance. Na terça-feira saímos de novo. Ficamos de namorico no carro de novo, pois novamente a pressa dele era grande, mas não tanto como antes, pois eu havia reclamado. Nessa ocasião não fui tão cheia de pudores e limites, aí sabe como é, até caberia uma mão naquilo e aquilo na mão. Afinal de contas, é bom averiguar a qualidade do material antes de testar!

Eu achei que ele foi embora feliz como eu fui. Passou uma hora, chega uma mensagem dele, mais absurda que a do encontro anterior, cobrando de forma agressiva o fato de eu ter só provocado, de não ter pego nele com vontade, e pior, cobrando de eu não tê-lo feito gozar com a boca que fosse. De cara pensei que não li direito e fosse em tom de brincadeira e disse, posso retribuir na próxima? Ele respondeu: DEVE! Pois ele tinha me feito gozar com a mãos e eu deveria retribuir.

Eu li aquilo e chorei de ódio, de tristeza, pois eu estava em um estado de felicidade grande e de repente despenquei para um estado oposto em menos de 1 segundo. Só respondi “me esquece” e bloqueei no whats.

Aí começou o inferno, mandava SMS cobrando eu desbloquear, exigia que queria falar comigo. Passou um tempo mudou o tom e começou pedir por favor, que era um imbecil e tinha o péssimo hábito de falar sem pensar e magoar aqueles que ama. “Como assim ama?” – pensei. A gente ficou só 3 vezes em menos de uma semana. Só podia ser doido! Ligou até de madrugada, ligou o dia seguinte todo, de vários números que pode.

Fiquei com medo, devia ser maluco. Tive que avisar a minha mãe que, caso aparecesse aqui, era pra dizer que eu não estava, pois tinha medo disso, já que, por ser do Correio, sabia meu endereço. Foi tenso o dia, até porque eu estava triste com tudo, já estava me acostumando com a companhia e lamentava o fato de eu não ter aproveitado o equipamento do moço, pois era bem robusto (convenhamos que não dá pra desperdiçar!). Eu não contei, mas as encomendas que eu postava eram itens pessoais, seminovos vendidos em um site de desapego. Naquela tarde, reservam um item na minha lojinha que não seria fácil vender sem o comprador fazer perguntas prévias, devido a ser entrega em mãos: era um saco de boxe de 22 kg.

Na hora pensei: “foi ele”, pois já havia ameaçado comprar coisas só para que eu fosse obrigada a ir na agência. Era de fato ele o comprador do saco. Voltamos a conversar com certo distanciamento meu e apenas para tratar do tal saco.

Ele disse que, apesar da confusão, fazia tempo que ele queria comprar um. De certa forma, chegou a ser engraçado, pois eu sei de homens que mandam flores para reconquistar a mulher, mas comprar um saco de boxe para se reaproximar era novidade!

Ele insistia em voltar a conversar como antes, mas eu não conseguia esquecer. Não tinha clima.

Enrolei para entregar até quando pude, uma semana. Um dia me enchi de coragem (pois me enrolava por medo também). Fiquei no estacionamento esperando ele vir pegar o saco. Só que quando ele veio, eu não consegui vê-lo como o cara das mensagens, eu o vi como o atendente gentil que tinha me cativado. Ali não aconteceu nada e isso que doeu, ele pegou o saco, pôs no ombro e foi embora sem forçar nada, só pediu desculpas. Burrinha, o coração amoleceu. Voltei, voltamos a nos falar e aos poucos decidi deixar quieto o que tinha acontecido.

Ele intercalava momentos de ternura com momentos pornográficos. Tinha costume de dormir muito cedo para meu padrão, às 22hrs, 22:30hrs e sempre dava boa noite. Acordava às 6, às 7 e me dava bom dia. Conversava o dia todo. Digo em horário comercial, a noite sempre tinha pai, mãe, filha, primo pra atender. Balada, nem pensar! O ritmo era o mesmo até fim de semana, quando inclusive era muito ausente, sempre com grama para cortar, casa pra pintar, família para atender, quase nada de assunto, nem no whatsapp. Os dias se passaram, as conversas foram tomando teor mais picante, descobri que ele tinha costume de escrever contos eróticos.

Me dedicou um quase como se fosse uma carta de amor. Questionei no outro dia se ele não queria apenas sexo comigo. Se fez de ofendido, alegando que se quisesse apenas sexo, não teria me esperado por tanto tempo. Uns dias depois ele me questiona, quais minhas intenções com ele, pois parecíamos mais amigos do que outra coisa. Como assim? Com esses papos quentes que temos. Só se for falta de contato físico… Pensei: “quer saber, eu tô no atraso mesmo! A vontade tá me matando e convenhamos que é bom dar logo esse passo, e assim eu teria certeza se era só sexo ou não”. Depois de quase 2, finalmente marcamos.

Saímos no sábado após seu expediente (de novo). Rolou motel, suíte bacana, com direito a pole dance, pois ele sabia que, por ser praticante, me agradaria. Tudo foi melhor que eu esperava.

Eu estava feliz. Nos despedimos, ele como sempre ficou de mandar mensagem em seguida. Voltei do compromisso, nada de mensagem, mas ok, eu disse que não ia ver logo. Dei oi, cobrei a mensagem prometida, ele disse que não havia enviado pois eu havia avisado que não leria logo, disse que estava no mercado com a mãe e estava com 5% de bateria. Eu, que a essas alturas estava com uma dor de cabeça enorme, não liguei, pois queria mesmo era dormir. Quando ele me chama de volta, já era pra dar boa noite. Na manhã seguinte, um bom dia seco. Eu respondo, ele responde horas depois falando trivialidades. Nada do “eu te adoro” ou do “linda” que sempre dizia. Isso foi fim de semana passado. Depois disso, sem mais oi, bom dia, boa tarde, boa noite. Sumiu. Digo, o whatsapp denuncia se está online e quando visualiza. Mas não me atrevo a questionar. Me parece óbvia a mudança de comportamento. Não vou mais discutir nada. Bloqueei, deletei, exclui de onde eu pude e se precisar troco de chip. Ele sabe o que penso sobre mentiras. Ficam as teorias do que pode esconder seu comportamento. Deixo a vocês o mistério do cara do correio. Será que o Sr Estranho era um casado que só queria matar a curiosidade de me levar pra cama?!

Olho meninas, olho!

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