Como ser um homem na visão de um engenheiro de 38 anos

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Recebi esse texto por email. Ele disse que gosta do que eu escrevo, mas eu aprendi muito com o que ele escreveu.

Como ser um homem na visão de um engenheiro de 38 anos

Prezada Luiza,

Não pretendo enviar uma pergunta, mas sim um depoimento que creio pode ser útil em seu valoroso e irreverente trabalho.

Sou um engenheiro militar com 38 anos, fui casado por oito anos, mas a relação se deteriorou já no segundo ano. As razões para tanto, assim como para a manutenção de tão longo relacionamento infeliz são, por óbvio, diversas, mas gostaria de citar algumas que são, a meu ver, cruciais.

Obviamente nesses casos, não há um culpado único, se é que o há. O fato e as constatações a que cheguei podem impressionar muita gente, pois bem, segue a linha de raciocínio, seguida de um relato pessoal.

Antes de me casar, era um jovem comum, porém com poucas parceiras sexuais, tinha as dúvidas frequentes que vejo listadas em seu site (tamanho do pênis, baixa estatura, dificuldades em entender os recados subliminares que eventuais parceiras demonstravam). Conheci minha esposa quando tínhamos ambos 26 anos. Gosto muito de estudar, não sou propriamente um intelectual, mas me incomodo quando percebo que não entendo algo que creio, deveria entender mais profundamente. Obviamente essa vocação para estudos consome tempo e paciência individual. Minha esposa costumava julgar meus momentos de introspecção como descaso com o relacionamento. O fato é que realmente a amava, mas precisava de tempo para mim (ler um livro, redigir comentários, estudar filosofia, teologia, matemática) abrir mão disso significava uma profunda dor espiritual. Bom, abri mão disso às primeiras queixas e a partir de então passei a viver a vida que ela sonhava para nós.

Com o passar dos anos, comecei a me envolver com seus problemas, tanto profissionais quanto pessoais, mas uma espécie de egoísmo a impedia de aceitar minhas sugestões ou de resolver seus problemas por meus métodos. Não falo de interferir nas decisões dela, mas sentia que mesmo em questões práticas, onde minha opinião era óbvia e inquestionável, não me dava ouvidos. No popular, estava vendo a merda acontecer e me sentia dando conselhos a uma surda. Parece-me que havia uma necessidade absurda de autoafirmação que a impedia de aceitar qualquer interferência de minha parte em suas atitudes, muitas vezes desastradas. Nos assuntos mais banais, como necessidade de vacinar o cachorro, trocar de carro, mudar de casa, onde almoçar e até o cardápio a ser escolhido, aparecia um drama, uma espécie de guerra dos sexos.

Claro que essas imposições eram veladas, nunca diretas. O convencimento vinha com argumentos retóricos e emocionais, de tal forma que discordar gerava em mim uma pontada de culpa. Por vezes o choro era uma faca que cortava minha alma. Evitava brigas, pois após uma briga é muito difícil dormir ao lado do cônjuge.

Impossível não dizer que a prostração tomou conta de mim, junto dela vieram problemas sexuais, bem citados a falta de desejo e a ejaculação precoce. Tornei-me taciturno e meio chorão, um bunda mole.

A noção de uma união para a vida toda era um ideal que persegui e idealizei. Sou católico e levo a sério a doutrina da igreja, nem tanto por tradição, mas mais por conclusões teológicas que a mim fazem sentido. Nessa situação, me considerava aprisionado e conformado.

Com uns quatro anos de casamento, os sintomas de depressão começaram a se fazer evidentes. Não tinha disposição para nada, passei anos sem ler ou escrever algo que valesse a pena citar, desejo sexual zero, morava em frente à praia e sequer ia até lá, engordei cerca de 30 kg. No sétimo ano, busquei auxílio psiquiátrico já convicto do eventual diagnóstico de depressão.

Em poucos meses de tratamento melhorei absurdamente, perdi peso, voltei a me exercitar, me tornei menos sensível à chantagem emocional, mas minha libido continuava lá embaixo, várias vezes fiz sexo com o único pretexto de evitar suspeitas de traição, eram relações sexuais ruins, obrigatórias, quase um fardo. Como resultado, ela pediu um tempo. Já não era mais militar da ativa, havia pedido recentemente minha baixa para estudar para um concurso público para um cargo que há muito almejava. Aproveitei a situação e voltei para Curitiba (minha cidade natal) na casa de meus pais. Ficar sem trabalhar não era um grande problema, havia aquinhoado um patrimônio razoável, suficiente para um homem sozinho sobreviver sem muitos problemas, indefinidamente.

Após esse “tempo”, pude estudar mais sobre relacionamentos. Diversas publicações e estudos sobre teoria do apego, noções comportamentais entre homens e mulheres, visões religiosas e estudiosos consagrados (Peter Kramer, Daniel Goleman, Flavio Gikovate, dentre outros), livros sobre sedução e linguagem corporal, feminismo x machismo, além de seus escritos e vídeos (obrigado por fazê-los).

Uns dois meses após minha chegada em Curitiba, minha esposa me telefonou. Queria que conversássemos sobre o relacionamento, pois sentia saudades. Ciente de que reembarcaria em um barco furado, disse que queria o divórcio. A reação foi a mais emotiva possível, com choro, arrependimentos e textos comoventes no facebook, os quais julgava que ela sequer conseguiria escrever.

Assumi meus erros e perdoei os dela (admitidos após uma conversa franca), nos divorciamos, mas nos damos bem até hoje.

De todo esse imbróglio, tirei algumas conclusões interessantes que gostaria de dividir com pessoas que eventualmente passem por situação parecida.

Mulher alguma poderia ficar satisfeita ao lado do Zé Ruela que havia me tornado.

É da natureza do homem ajudar a mulher amada, não poder fazê-lo é frustrante, um homem frustrado está a meio caminho da decrepitude. Isso nada tem a ver com a independência feminina, falo de sentir que se é responsável pela mulher amada, isso não é um peso, mas sim uma necessidade masculina legítima.

Não é possível amar sinceramente uma mulher que não o admire minimamente ou em algum aspecto em específico, isso também vale para mulheres.

Existe um meio termo entre ser um banana e um troglodita, é ser homem.

A qualidade do sexo está mais relacionada com a admiração que uma mulher tem por ti do que pelo seu desempenho biológico (Getúlio Vargas e Napoleão Bonaparte eram tampinhas barrigudos, mas tiveram as mulheres que desejavam perseguindo-os), inclusive no sexo casual.

Após minha separação, fiquei três anos em abstinência sexual voluntária, precisava estudar para o concurso público, paixões inevitavelmente atrapalham esses objetivos. Em 2015 conheci uma garota que morava no nordeste enquanto passava uma semana em Campo Grande MS. Foi apenas uma semana, dei-me uma chance. Foi maravilhoso, o desejo veio naturalmente, nem sinal de disfunções sexuais, muito humor e carinho além de uma admiração mútua por motivos que não cabe detalhar aqui.

Então mais um ano de abstinência. Quando falo a amigos sobre isso, normalmente surgem as brincadeiras. “Vai para o seminário”, “Como consegue? Não aguento uma semana sem sexo”. O fato é que gosto de sexo, mas não me exponho rotineiramente a estímulos sexuais, não vejo pornografia e encaro a possibilidade de dispor de uma prostituta como uma derrota moral. Acredite, para mim a abstinência sexual não só não é difícil, como muitas vezes é libertadora.

Há uns seis meses conheci uma garota de 25 anos, ex-aluna de minha mãe, veio trazer um presente de dia dos professores a ela. Conversamos bastante, ela também estuda para o mesmo concurso que quero prestar (infelizmente ainda não aberto), observei que temos objetivos em comum, lemos os mesmos livros, posições religiosas quase idênticas. Em suma, parecia que nos conhecíamos há anos. Convidei-a para sair, começamos a namorar, sempre de dia e aos fins de semana, corremos juntos no parque, vamos a algum restaurante. Com uma semana de namoro, após uns amassos mais quentes, percebi que, apesar do nítido desejo, ela não agia como normalmente as mulheres com que me relacionei agiam em tal situação, tinha um jeito mais instintivo, atrapalhado, como se buscasse o prazer sem saber direito como. Resultado, confidenciou-me que era virgem, por outros motivos, não tenho razão para duvidar.

Desde então, fizemos um voto de só manter relações sexuais após uma união mais segura, isto é, emprego, casamento. O fato é que tem sido o relacionamento mais prazeroso, leve e agradável que já tive, sempre que estamos namorando no carro ou em lugar ermo, as simples carícias a fazem ter orgasmos, sinto que ela tem profunda admiração por mim, controlo minha ansiedade, sinto que tenho total controle da situação e principalmente, ela aceita “ser cuidada por mim”.

Por óbvio não penso em findar esse relacionamento, mas mesmo que acabasse hoje, já poderia dizer que teria sido a melhor namorada que já tive, mesmo sem uma relação sexual completa. Inevitável, tenho me acabado na punheta!

Fica uma reflexão (inclusive já vi algo em seus escritos ou vídeos). Até que ponto a sexualidade se restringe ao ato sexual. Creio que em nossa geração hipersexualizada, idealizada na pornografia, a nossa própria biologia vem sendo alterada, nos tornando escravos da sensualidade barata e banal. Meninas menstruando cada vez mais cedo e adolescentes com traços sexuais precocemente desenvolvidos são realidades relatadas em diversos estudos acadêmicos.

Preocupa mais ao homem de hoje brochar no motel, do que ser indigno de uma reputação honrosa, do que ser um péssimo pai, do que a possibilidade de se acovardar frente ao inimigo ou ser humilhado em seus brios.

Acredito firmemente que ser homem é uma construção individual e dura, com muito aprendizado e até dor. Quando uma garotinha cai da bicicleta, é esperado que se cuide dela, quando um garotinho o faz, manda-se que levante e continue. Um garoto deve aprender que seu choro e seus problemas são menores que os da garota, isso é natural. Autocontrole, fidelidade, lealdade, o senso de proteção que faz com que um bom homem se coloque à frente de um tiro destinado a sua amada, fazem parte de um aprendizado.

Aos homens que eventualmente leiam essas palavras, digo o seguinte: aprenda a ser honrado; seja bom em algo que mereça admiração; segure a onda nos piores momentos; não dê tanta importância ao sexo, mas sim ao seu valor como ser humano; estude, planeje, mantenha seus princípios; não titubeie em procurar ajuda médica, de bons profissionais ou de boa literatura; mantenha sua saúde; cuide de seu espírito, sendo religioso ou não. Em resumo, faça seu caminho e o trilhe, mulheres maravilhosas aparecerão para você sem que precise correr atrás delas, serás um bom partido inevitavelmente.

Um forte abraço Luiza

Se chegar até o fim desse depoimento, uma observação, te acho encantadora.

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