Não consigo me dar bem com a filha do meu namorado!

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Leitora: Meu namorado tem uma filha de dez anos de um relacionamento sem vínculo (apenas uma transa), nunca morou ou teve algum tipo de relacionamento com a mãe de sua filha, bem como nunca morou no mesmo lar que filha e mãe. Ele morava em Londres e mãe e filha aqui no Brasil. Ele viu a menina nesses dez anos duas vezes, apenas falava com ela via telefone e vídeo.

Atualmente ele veio morar no Brasil há cerca de um ano e desde então está mais próximo dessa filha. Eu conheci a menina e ela faz de tudo para atrapalhar minha relação com o pai, chegando até a inventar coisas para que eu brigue com ele, inclusive mentir que não sabe aonde o pai tá só para eu ficar desconfiada e brigar com ele. 

Esses dias ele foi à igreja com minha sogra e eu sabia, aí liguei na casa dele, ela atendeu e perguntei se o pai já havia chego, ela respondeu que não eu falei aonde ele foi, ela respondeu não sei ele saiu faz horas, aí eu respondi: ele foi na igreja – ela ficou quieta. Ele chegou e me ligou e eu perguntei se ela sabia aonde ele tinha ido, ele respondeu que sim que inclusive a chamou para ir junto, mas a menina não quis ir. E outras situações que ela mente para que eu fique braba com ele. Quando estamos juntos ela faz de tudo para chamar a atenção dele e me tirar do foco, até mesmo se machucar e se fingir de doente.

A menina apresenta maldade no olhar, muitas pessoas falaram para eu me cuidar com ela, porque ela aparenta ser do mal, pensei se esse pode ser um caso de perversidade infantil. Me ajudem, pois estou pensando em terminar meu relacionamento por medo do que essa menina possa vir a fazer comigo e meu filho de 10 anos.

Todos nós já fomos crianças um dia e, justamente por isso, sabemos que crianças podem ser muito cruéis. PORÉM, ela ainda é uma criança e não te cabe fazer ainda mais criancices do que ela. Sem contar que, nesse seu caso em específico, se você terminasse ia ficar mais com cara de ser por ciúmes da menina do que por ela ser a perigosona “que vai prejudicar você e seu filho”. Vamos ser sinceras, né? kkkkk.

Crianças são espertas e tal como os cachorros (sem querer comparar, tá? kkkk), sentem de longe quem não gosta delas. Ou seja, provavelmente você morre de ciúmes da menina – acaba “não gostando da menina” – ela percebe isso, te vê como uma rival e a merda inteira acontece kkkk. Ainda mais na nossa cultura em que não deveriam, mas as mulheres (inclusive as em miniatura), “brigam muito entre si”. Espero que não seja programação do DNA kkkk.

Por mais que você diga que não, tudo leva a crer que, por sua vez e independente da menina ser de fato cruel ou não, você está disputando espaço com a mesma e sabe disso. E é justamente aí que você erra e é justamente aí que você irá perder.

Veja bem: você é mãe, certo? Agora me diga: e se seu namorado disputasse espaço com seu filho? Certamente você responderia que são amores incomparáveis – e de fato são! Porém, quando a protagonista da história é você, parece que “emburrece” e a empatia + bom senso vão por água abaixo…

É claro que seria ótimo caso seu novo namorado tivesse o bom senso de, “conhecendo as mulheres que ele tem” (rs), falar bem de ti para a filha, explicar que não se trata de competição, que são amores diferentes, que não tolera brigas, te dar ideias para agradá-la e etc. Porém, não sei se esse é o perfil dele. Se não for, você pode conversar com ele? Pode, mas não é algo que você poderá obrigá-lo a fazer. Sem contar que ele deve estar tão grudado assim na menina “para pagar” o tempo que passou longe dela. E vamos lá que você como mãe também entende isso. Lembre-se também que o fato de a menina ter nascido de uma transa ou não, não a faz ser menos filha por isso. E ainda bem que ele sabe diferenciar isso e tá sendo um bom pai, né? Menos uma criança sofrendo no mundo.

Eu no seu lugar tentaria amar essa menina. Afinal de contas, se você ama o seu namorado e o quer vê-lo – e ser – feliz, é bom que você a ame. Infelizmente nossa cultura vê “a madrasta” como algo muito ruim, e em grande parte, é porque as madrastas também cavam um pouco disso. Porém, é como uma vez li na internet uma mãe falando que amava a madrasta da filha dela e que iria é fazer de tudo para as duas se darem bem. Assim, a filha ganharia “uma mãe a mais”. E quando a gente ama mesmo nossas crias, queremos mais é que elas sejam felizes com o máximo de pessoas possíveis. O problema é que, infelizmente, às vezes me pergunto se esses pais/mães que acham que “mãe/pai é um só” e fazem de tudo para os filhos odiarem os “padrastos/madrastas” realmente amam tanto os filhos assim. Mas esse seria um outro assunto, visto que no seu caso seu namorado (e a ex dele?) parecem ser super de boa em relação a ti.

A partir de hoje, se avalie, veja as suas infantilidades, as suas picuinhas e até mesmo as suas maldades (não apenas as da menina). E acima de tudo: escreva na testa que a adulta é você. Como disse, tente amá-la de verdade, leve-a para a sua vida, estimule o pai a sair com ela, deixe ambos livres para fazerem o que bem entenderem. O resultado natural disso é que o pai irá te amar cada vez mais (eu amaria se estivesse no lugar dele kkkk), a filha finalmente começará a gostar de você e pá, já já vão sair vocês 3 juntos pelo simples fato de que ninguém mais te verá como ameaça. Tenha certeza que isso fará bem a sua alma também =)

Seu namorado criou caso com seu filho? Tente ser legal com a filha dele também. Desarme-se! E caso você veja que não tem maturidade para isso (acontece, você não é obrigada a namorar com um cara com “bagagem”), ou ache que a menina é realmente o capeta em miniatura, respeite suas limitações sem precisar colocar a culpa nos outros e termine seu namoro. Só  nunca, jamais, justifique qualquer tipo de atitude como motivo para fazer picuinhas ou para ser infeliz. Afinal de contas: filhos são pra sempre e, se namorados não são, o caminho do beco parece ser a maior saída.

Até amanhã!

Beijos,

Lu

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.