Não temos privacidade no nosso namoro e estou me cansando dela

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Leitor: Olá, tenho 22 anos e minha namorada 20. Estou com ela há quase dois anos, mas estou cansado dela, não sei se enjoei ou se estou cansado o q vem acontecendo é q nós não temos privacidade alguma, se saímos temos q voltar até às 8 da noite no máximo, se vamos conversar na casa dela, sempre fica alguém ao lado, se vamos assistir a um filme no quarto dela, a mãe dela vai até lá e inventa um assunto para não nos deixar a sós, quando saímos liga a todo momento.

Até um ano de namoro eu levei isso numa boa até pq ela é a única filha mulher, mas pensei que isto fosse melhorar. Depois de um ano só piorou e acabou q afundou nosso relacionamento e agora não sei mas o q fazer ou o q sinto por ela, devido às brigas e desentendimentos não conseguimos conversar em paz.

Não entendi muito bem o que você almeja, mas pareceu-me que a sua família é mais liberal que a família da sua namorada.

Não tenho uma luz pra alegrar seu dia ou para iluminar seu túnel, pois a única solução é ambos alcançarem a independência e isso é algo que depende de estudo, esforço e trabalho.

Você está inserido no Programa MINHA CASA, MINHAS REGRAS, então lide com isso com maturidade e paciência ou pule fora.

A minha família é pseudo-conservadora, do tipo que senta em cima no rabo e caga regras. Eu aguentei MUITA asneira por 1 ano e foi crucial ter o apoio do meu namorado na tomada de todas as decisões que precisei tomar. No fim, entendi que EU ESTAVA ERRADA, pois devo obedecer às regras do dono da casa (mesmo que elas sejam arbitrárias). A partir do momento em que essas regras já estavam me incomodando, fui viver a minha vida e criei um novo reino cuja regras são minhas.

E veja só, na época eu tinha 27 anos, trabalhava, ajudava em casa, com formação em nível superior, com meu carro na garagem, nunca dei trabalho ou dor de cabeça pra eles e mesmo assim fui privada da minha liberdade e da minha intimidade.

Quando eu saía para um cinema ou jantar fora, recebia (no mínimo) umas 5 ligações do meu pai. Eu peguei ÓDIO da música Satisfaction que era o toque do celular. Quando tocava aquele caraio eu suava frio e até hoje não consigo ouvi-la sem reviver muita coisa negativa.

Teve de tudo que você puder imaginar. Teve vela quando eu assistia filme, teve ameaça de morte, teve perseguições e altas coisas insanas. UM ANO DA PORRA.

Meu pai queria matar o mozão gente, ceis não tem noção e hoje parece uma biscatinha perto do genro querido kkkkkk, vai entender.

Contudo, todo o sofrimento foi válido, pois me fez amadurecer bastante e compreender o lado dos meus pais. Hoje eu vejo que ambos erraram no desespero de fazerem certo e achando que sabiam melhor do que eu mesma o que é melhor pra mim.

Como diria o tio Ben: “grandes poderes vem com grandes responsabilidades”.

Ter liberdade, independência, privacidade e fazer o que lhe der na telha tem seus custos e não são baratos.

O mozão aguentou TUDO com muita dignidade, maturidade e uma sabedoria emocional que até hoje fico de boca aberta e ele diz que aguentou os desaforos por mim, por que eu valia a pena e ele sabia que meus pais são do bem e que estavam desesperados e com medo de “me perderem”.

Eu lembro de ter lido que o sofrimento está na incapacidade de decidir se o problema vale a pena ou se a batalha deve ser travada, e a pessoa que escreveu isso deu um exemplo magnífico, pena que não lembro quem escreveu e se alguém souber, deixe nos comentários:

Você pode ferver um sapo na água fria. Coloque-o numa panela e comece a esquentar aos poucos. Ele vai se acostumar com a temperatura até não ter mais forças para sair da panela. Pense: O que matou o sapo não foi a água quente, mas a incapacidade de decidir quando deveria partir. (mais ou menos essa mensagem).

Assim sendo, te pergunto: sua namorada vale a pena?

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About Author

Mari Cobra

Intolerante à lactose, bem cuzona, nunca disse que sou legal, tenho um coração grande e geralmente tomo na tarraqueta, geminiana e fodidamente indecisa. Apaixonada pela vida e falo muito palavrão.