Dou um “passe livre”, ou corro o risco de levar um chifre?

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Leitor: Bom dia! Venho relatar o caso que está acontecendo comigo e minha namorada:

Estamos em um relacionamento de 2 anos e meio, sendo que os últimos 18 meses estão sendo à distância por diversos motivos relacionados a trabalho. Nos primeiros 6 meses à distância, conseguíamos nos organizar e nos ver quase todos os meses, mas no último ano ficou muito difícil por questões financeiras e também por ela ter arrumado outro trabalho que tem menos folga.

Já estamos há 4 meses sem nos vermos e já tá tudo planejado para tirarmos férias juntos em abril de 2018 e finalmente ficarmos juntos. Porém, tenho notado ela muito irritada, principalmente durante a TPM onde é super estressada.

Em uma das nossas últimas conversas ela falou que tá sentido muito a falta de sexo, ela nunca ficou tão estressada na TPM e que nem masturbação resolve mais. Foi aí então que ela pediu algo bem diferente e inusitado, ela me pediu um P.A. (Pau Amigo). Quando ela me explicou o que realmente era, fiquei sem reação, senti que ela falou em um tom de brincadeira mas tem um fundo de verdade que pode ser algo sério mesmo.

Realmente gosto muito dela e penso em nos casarmos um dia. Mas em relação ao P.A não sei como proceder, se valeria deixar o relacionamento aberto por um tempo e depois ver como ficamos ou correr o risco de levar chifres. Se tiver alguma opinião dica ou sugestão estou aberto a conselhos!

Idade do Casal: eu 29 e ela 24 anos

Mas vem cá, conte um segredinho aqui pra Lu: você está sendo realmente fiel durante todos esses meses? Porque assim, independente de você estar sendo ou não, você concorda que ao menos sua namorada foi sincera, se abriu com você e não foi hipócrita ao, por exemplo, pagar de santa certinha e te trair pelas costas?

Acho que mesmo que você discorde e dê um pé na bunda dela (tem todo o direito de não concordar), essa sinceridade deve ser, sim, valorizada. Isso demonstra que ainda sobra o mínimo de caráter nela e que ela não pretende fazer nada nas suas costas. A única coisa que ela não foi muito clara (de certo porque é óbvio? kkkk) é que esses meses a fio sem sexo/longe estão realmente pesando, entende? E pergunto até se não está pesando para você também, ainda que sua forma de manifestar “insatisfação” possa ser diferente (vide a primeira pergunta que te fiz nesse texto kkkk). Sem contar que nem todo mundo nasceu para manter um namoro a distância, assista a esse vídeo sobre o tema aqui.

Apesar de muita gente me ver como uma modernosa, realmente não acredito que o ser humano nasceu para monogamia, PORÉM, também não sabemos administrar a poligamia. O que significa que teremos que pensar juntos em um meio termo que dê pra fazer kkkkkkkkkk.

EU, LUIZA, daria um passe livre para meu companheiro, DESDE que ele fosse sincero comigo e, principalmente, que ele me fizesse me sentir muito amada, valorizada e protegida dentro de casa. Daí, partindo do pressuposto que sou uma pessoa que tenho autoestima “ok” e sei que não é fácil encontrar outra Luiza por aí, que mal tem ele dar uma aliviada por aí qualquer dia desses? Já conversei sobre isso com o Thi e pense num olho esbugalhado (só exijo camisinha kkkk). MAS, não é verdade?

Prefiro, de verdade, abrir a porteira do que achar que sou dona de alguém. E não sei se nasci com problemas mentais, mas penso assim desde nova. Enfim e continuando o assunto…

Eu no seu lugar me preocuparia com duas coisas: em ser feliz e em ser amada. Porém, o detalhe é que não posso deixar de desejar o mesmo para quem está comigo, entende? E é justamente por isso que penso como penso e estou te levantando essa sugestão, que claro, você adapta e usa como quiser.

O problema é que no caso de vocês, talvez você não se sinta amado e a distância pode estar atrapalhando justamente na manutenção desses itens que considero como os mais importantes. Talvez ela tenha enchido o saco, talvez ela tenha se acostumado com a sua ausência e, ainda que seja brega, o seu coração já sabe das respostas para tudo isso. E, se não existir amor, você não precisará nem pensar em nada disso. Só corta logo. Depois chore muito com a certeza de que passa.

Vocês não dormem juntos, vocês não acordam juntos, vocês não cuidam um do outro (no presencial), vocês já não fazer amor (esse termo é brega, mas digo no sentido de se entregar mesmo um para o outro, sabe?), logo, o que une vocês que não seja a distância? E aí meu amigo, nesse seu caso em específico, eu no seu lugar preferiria terminar o namoro para que DEPOIS, o tempo mesmo dissesse se vamos ficar juntos ou não. Sei lá, menina longe, grossa, não demonstra carinho. Gostei não kkkk

Se você for pensar bem, pode até nem ser “um passe livre” que ela quer, mas sim autorização para ficar meses a fio com alguém enquanto você não está aí. O que, mais uma vez, é bonito e sincero da parte dela, MAS, talvez fosse melhor terminar por questão de praticidade e lógica interpretativa do atual contexto de vocês, sabe?

Tem gente que também fala que quem ama não olha pros lados e todo um blablablá que não sei se é porque trabalho com isso, mas não acredito. A diferença é que tem gente que sente isso o tempo inteiro, gente que sente isso uma vez por década e gente que sente só depois de 30 anos, porque né? Falar que nosso peru/pepeka só se esquentou por uma pessoa no mundo é utopia. Ainda que, tal como sempre digo, a sinceridade, bem como trair ou não, já vira questão de escolha/opção. Ela já fez a dela ao ser sincera e manifestar os próprios desejos, agora resta você ser sincero consigo mesmo para manifestar os seus.

Boa sorte!

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.