Meu marido contraiu HIV graças a uma traição e, desde então, não me sinto mais à vontade

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Leitora: Descobri há dois meses que meu marido, numa traição, adquiriu o HIV e está com aids. Ficou bastante debilitado e o acompanhei todo tempo na sua melhora. Tenho uma grande mágoa dele, pois me dediquei sempre para ele, confiava 100% e ele pelo contrário, sempre desconfiou de mim. 

O meu questionamento comigo mesmo é que não consigo ter raiva, não consigo brigar, ainda tenho medo dele continuar desconfiando de mim. Tento fazer coisas que não fazia antes para de alguma forma me vingar, mas não me sinto bem. Estou sempre me sentindo culpada e nunca fico à vontade. Mergulhei no meu trabalho para não pensar muito no assunto, mas me sinto desconfortável como se estivesse abandonando a família. 

Tenho dois filhos com ele e a mais velha me acompanha e cuida dele. É o meu apoio. 

Mais um caso de marido que aprontou muito e, justamente por isso, não confiava na esposa =(

Minha amiga, acho de fundamental importância a gente lutar pela nossa família, porém, temos de convir que para tudo existe um limite. E no dia que esse limite chegar, não adianta colocar a culpa em cachorro, periquito, papagaio, na sua religião (você me pareceu ter valores “mais rígidos”, não necessariamente religiosos), ou até mesmo na sua “possível bondade ao querer sempre o bem estar da sua família”.

Não que você não deseje isso, mas você já parou pra pensar que, muitas vezes, a nossa maior preocupação nem é com a nossa família? Mas sim com o nosso medo em encarar o medo? De quem sabe ver que todo um investimento (às vezes de anos), foi por “água abaixo”, e mais tudo aquilo que nos impossibilita de desatar os nós? Sem contar família e vizinhos fofoqueiros que podem querer saber “o porquê” de tudo isso ter acontecido, etc….

Entendo que é tudo extremamente difícil e que claro, família é coisa séria e que temos SIM que lutar por ela, mas fique até o final do texto….

Pelo que você se sente culpada? Pelo seu marido ter te traído? Bem, espero que não. Ou culpada por talvez deixá-lo quando ele mais precisou de você, mesmo tendo te traído e sido um fdp? Se sim, entendo, mas não vou concordar, CASO você não procure uma ajuda psicológica pra sair disso, e no seu caso, até mesmo um psiquiatra, pois está visível que o karma tá pesado demais pra você conseguir segurar sozinha.

Eu falo muito aqui em casa (e para os homens que eu consulto):

“Quer (me) trair? Ok, traia. Mas quer me fazer te odiar pelo resto da vida? Traga qualquer doença pra dentro de casa!”

A meu ver, o que seu marido fez foi muito pior do que uma traição: ele te traiu e ainda não respeitou a sua saúde/integridade física. Não podemos chorar pelo leite derramado, mas que ele jogou seu corpo na roleta russa ele jogou e, precisamos sim, conversar sobre isso.

Não sei se ele te passou o vírus. Acredito que não, mas se sim, pior ainda!

Só que assim, eu não tô aqui pra causar inferno na sua família,ou te convencer a se separar (essa é uma decisão sua), mas sim pra te dizer que ou você perdoa esse homem com todos os podres dele, ou não perdoa. Não rola ficar cuidando dele doente, enquanto na verdade só existe mágoa no seu coração, entende? Isso só piorará os dois lados e, sinceramente? Você não merece carregar mais lixos do que ele já jogou em cima de você.

Bacana você ter tido filhos com ele, e que tal como você disse, são seu apoio. Porém, é como meus pais sempre dizem: filhos são pra sempre, marido/esposa talvez não (calma que eles estão casados até hoje, tá? kkkk)!!! Sei que polemizo ao dizer isso porque, pra quem der uma interpretação mais rasa ao meu raciocínio, pensará que estou dizendo que vejo a família como algo descartável, que qualquer probleminha “é só terminar e pronto”. Primeiro que, se achasse isso, não teria tido relacionamentos longos, inclusive ouvindo muitos elogios à minha paciência (kkkk). Porém, como estava te dizendo, todos nós temos um limite, e quando você chegar nele e se negar a reconhecer, começará a sentir raiva/mágoa (primeiros sintomas?) e se não cuidados e sim ignorados, sentirá até mesmo depressão.

A pior coisa na vida é a gente entrar em fase de negação. Então, pense:

O que você realmente quer? Quer lutar pela sua família?

Ok, então, perdoe o seu marido, mas perdoe de coração MESMO! Sem essa de mágoa, ou de ficar pensando em se vingar. Coisas que, como você mesma disse, estão te saindo caro pelo simples fato de não ser o seu perfil e, consequentemente, você acabar se sentindo pior ainda! O mesmo vale para também começar a querer traí-lo, ou até mesmo expor (mesmo que “sem querer”) “o problema que ele te trouxe” para outras pessoas. Todo cuidado é pouco, preserve-se e tente se abrir apenas para mãe, irmãos e principalmente, profissionais. De resto, é melhor optar por conversar com Deus.

Procure terapia de casal e, mais do que isso, aproveite a oportunidade de, a partir do fato de ter visto que ele não mereceu tudo que você abdicou por ele, começar a impor um pouco mais os seus gostos, né? Você merece e já passou da hora.

Diga que você quer ter mais vida social, ou ir pra academia (apenas exemplos figurativos). E que se for pra ele não confiar em você – mesmo sem moral nenhuma pra isso – que vocês terminem. Entenda que seu problema não seria apenas conseguir perdoar de coração – ou não – uma traição, mas sim conversar com o seu marido sobre o fato de casamento não ser prisão e ele precisar te libertar um pouco mais também. Do contrário e mais uma vez, você estará apenas empacando os dois lados.

Note também que, com a doença, pode ser que ele piore ainda mais o ciúme e  a possessividade, e aí, mais uma vez, é importante que você tenha o pulso um pouco mais firme e resolva, ou aceite de vez a sua situação (SENDO FELIZ! Nada de aceitar depressiva, tá?). Nós aqui damos um empurrão, mas como é a sensação de acordar e dormir todos os dias ao seu lado e vivendo a sua vida, só você poderá dizer.

Também não entre naquele looping da autoenganação que muita mulher/homem faz ao dizer que marido é tudo igual, que é “tudo traidor”, “que todo casal tem problemas” (depende do nível, né?), ou sei lá mais o que que legitime “uma não possível troca”. Se fossem todos iguais, todos seriam ciumentos, possessivos e te passariam HIV, né não? kkkk.

Reformulem-se e parem de negar os problemas que rondam a casa.

Boa sorte!

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About Author

Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.