Não vou atrás, mas se ela vir não sei o que faço!

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Leitor: Nesse momento estamos separados, 14 anos juntos e 8 de casados, ela 32 e eu 33.

Eu sou mais grude e ela às vezes me evita até no sexo, que é pouco. Ajudo com tudo em casa, sou bom marido e bom pai, daí descobri que ela estava conversando com outro homem pelo telegram.

Ela me pediu perdão e outra chance. Eu dei, mas depois disso, minha cabeça virou um inferno. Mesmo ela falando que não conhece o homem, não estou mais acreditando nela, então comentei a situação para uma pessoa que infelizmente espalhou a história para minha família. Eu pedi desculpas, mas ela se aborreceu muito, então nos afastamos e eu saí de casa.

Agora estou confuso e não confio mais nela. Não vou atrás e se ela vir não sei o que faço.

Ser bom nem sempre é suficiente.

Existem pessoas, acredito que sejam a maioria, que não sabem receber e dar amor – ainda mais quando tratamos de casais que se “amarraram” super jovens. Assim sendo, podem haver um milhão de motivos para sua esposa não querer mais estar contigo, mas a comodidade, o medo do novo e o receio de não encontrar alguém melhor a mantém nesse relacionamento morno. Em nenhum momento você percebeu que a relação dos dois estava mais ou menos?

Acredito que ela tenha procurado conversar com outro para sentir-se viva e desejada, mas mesmo ela dizendo que não teve nada além de conversas, a credibilidade dela está baixa, mas isso quem tem que analisar é você, que conviveu por 14 anos com ela.

Não entrarei nos méritos do que ela fez ou deixou de fazer, vou me ater a você.

Quando temos problemas pessoais dessa magnitude, o correto e óbvio é resolver com a pessoa que lhe causou o dano.

Era o caso de você conversar com a sua esposa e expor todas as mágoas e sentimentos que ela despertou no seu coração.

Eu jamais desabafaria com um terceiro, nem com as minhas melhores amigas, pois as pessoas não são 100% confiáveis e nem sempre irão querer seu bem. Tem muita gente que sobrevive da desgraça alheia, que usa um episódio como o seu para dizer “tá vendo, fulano é corno e a família margarina não existe”. Esse tipo de gente valida a própria miséria através da tristeza alheia. É aquele negócio de não estar sozinho no fundo do poço.

Portanto, você errou ao expor a sua intimidade e a sua esposa está correta ao sentir-se invadida, pois isso dizia respeito tão somente aos dois.

Haverá leitores que dirão “ah, mas ela mereceu”. Beleza, ela errou FEIO, mas não é pior quando o cara vai lá, conta pra todo mundo que a esposa pisou na bola e depois ainda volta com a bonita? Quem sai pior na foto?

Nesse sentido, você tá parecendo adolescente com medo do que os outros dirão, olha o absurdo da sua fala “não vou atrás e se ela vir não sei o que faço”. Em outro trecho finaliza com “então nos afastamos e eu saí de casa“. Acredito que isso tem mais relação com o que a sua família ficou sabendo e o seu papel como homem perante a sociedade. Aí você sai, mostra que está puto da vida, mas não sabe mais o que fazer se ela te procurar, pois a sua vontade de voltar é grande. Tô errada?

Na real, você está dizendo “não vou atrás, mas e se ela não vir, o que faço?

Vaidade, orgulho e medo do que os outros dirão não são o caminho para uma vida plena, afinal, são vocês dois que compartilham o dia a dia e devem analisar o que vale a pena.

Particularmente não acredito que ela tenha ultrapassado a barreira do online, senão ela teria dado outros sinais e você saberia, então tire as paranoias da cabeça e lide com os fatos.

Assuma que gosta dela, procurem ajuda profissional para que ambos entendam em qual momento o casamento esfriou e o que cada um precisa para seguir em frente juntos e felizes ou separados e felizes.

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About Author

Mari Cobra

Colaboradora do Pergunte a uma Mulher. Intolerante à lactose, bem cuzona, nunca disse que sou legal, tenho um coração grande e geralmente tomo na tarraqueta, geminiana e fodidamente indecisa. Apaixonada pela vida e falo muito palavrão.