Você sente amor ou orgulho ferido?!

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         E aí que você levou um pé na bunda e não dorme mais direito, não come mais direito, e na verdade, nem vive mais direito. Essa é a hora da comilança em demasia, ou da falta de apetite total, a hora que você nem se reconhece mais e tampouco saberia descrever a dor que sente: a única vontade que se tem é poder tirar do coração toda aquela dor, e o mais rápido possível para enfim poder respirar aliviado, sem esse monstro que chamamos de amor não correspondido. Mas péra lá, o que foi que você perdeu mesmo?! Um grande amor ou apenas teve o seu ego ferido?

         Antes de se fazer de coitadinho e gastar o ouvido dos seus amigos, bem como um milhão de lencinhos perdidos, vale a pena pensar de onde vem essa sua dor, porque as vezes ela não passa de orgulho ferido. Tente se lembrar de como era a vida antes do fim: você fazia pouco caso da pessoa que você estava, mal se lembrava dela, sair com os amigos ou assistir um seriado na TV parecia sempre ser algo mais interessante, e como se não bastasse, constantemente você a procurava apenas para saciar as necessidades físicas, ou até mesmo psicológicas?! Tais como fazer o ouvido dela de pinico para falar o tanto que a vida é cruel contigo, o quanto você odeia o seu chefe, ou então o tanto que você está precisando de “umazinha”? Sem contar as vezes que você recebia uma declaração ou um presente caprichado e não ficava tão feliz por ter um amor correspondido quanto pelo fato de finalmente ter alguém aos seus pés e te fazendo se sentir mais importante. 

         Se você tem ou teve algum desses sintomas descritos acima, atenção: isso pode ter sido apenas um “amor conveniente”. Depois de um tempo, como nenhum trouxa é trouxa pelo resto da vida, você foi largado, jogado às traças, e como não mais se vê como o ser dominante  da situação, agora você senta e chora. Bem, acho que a dedução que irei fazer agora você já fez e só vou falar por desencargo de consciência para ver se você entendeu bem mesmo: talvez o seu caso seja apenas o de ter se equiparado a uma criança que perdeu o brinquedo que nem era o favorito dela, mas que agora chora porque o outro amiguinho levou e brinca feliz com ele. Eu sei que nessas horas muitos alegam que “agora que descobriram o tanto que amam”, “que agora aprenderam a valorizar”, e que “agora sim é amor”. Bem, pode até ser, mas custo a acreditar que tem gente boba o bastante para amar de verdade, com todo o coração, e só descobrir o óbvio depois que perdeu, e não raramente depois de muitos avisos.
        Acredito que tem gente que muda, gente que pode ser inclusive muito melhor depois de ter levado um pé na bunda, mas ainda assim, sinceramente não sei se essa pessoa estaria preparada para viver um grande amor, daquele desapegado das picuinhas mundanas e pessoais, porque com todo o respeito, de duas uma: ou a pessoa é burra demais para conviver com o amor legítimo, ou então a vontade de não perder o amor do outro por ela foi tão grande que ela mesma se confundiu com um amor que ela achava que sentia!
         Escrevi esse pensamento não para martirizar os “pobres sofredores” que “perderam um amor” e ainda tiveram que ouvir algumas palavras ácidas, mas sim na tentativa de libertá-los ao fazê-los pensar que as vezes nem era amor assim dos grandes, mas tão somente a dor de uma perda que passará quando eles enfim encontrarem um outro alguém para suprir a sua carência emocional, e aí sim quem sabe amar de verdade a ponto de nem se lembrar dessa espetada passada, porque esse sim tende a ser o final feliz do verdadeiro amor.
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Luiza Costa

Brasiliense morando em Curitiba. Escritora, blogueira, youtuber. Espero te encontrar todos os dias nas redes sociais pra que possamos debater os mais variados temas e crescermos juntos.