Estou apaixonada, mas moramos longe um do outro

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Leitora: Tenho 35 anos e sou de Belém, conheci um rapaz de 30 de São Paulo através de uma amiga que é prima dele.

Nos apaixonamos, e ainda não nos vimos por questões financeiras. Ele sempre me deixou claro que não conseguia ter relacionamento exclusivo comigo, por ser uma pessoa carente de presença física e eu estar longe. Eu sempre quis exclusividade e deixei isso claro, já tem um ano que nos falamos e não tenho dúvidas de que ele gosta de mim, mas nos afastamos, porque ele começou a conhecer outra pessoa próxima dele apesar de ainda se dizer muito apaixonado, que só fazia isso porque eu estava longe fisicamente.

Eu também dei um chega pra lá nele pra conhecer outra pessoa, porque ele não se decidia, mas quando o outro carinha vacilou comigo, eu gamei ainda mais no paulista e, quando tentei me aproximar de novo dele, sofri com a falta da atenção que tava acostumada a receber.

Ele disse que não gostava da moça que tava conhecendo e que estava empurrando com a barriga, mas tava seguindo meu conselho e tentando todas as possibilidades com ela antes de decidir se ia investir na gente ou não (é que antes eu falei que ele devia tentar se abrir de verdade, pra depois não ter arrependimentos, porque foi isso que fiz com o outro cara que tava conhecendo).

No fim, eu não aguentei os vácuos dele, porque sabia que ela dava prioridade pra outra. Sofri muito, então exclui o contato dele e pedi pra ele só me procurar quando estivesse decidido do que queria. Ele me disse que só ia me procurar quando tivesse tomado uma decisão, porque não queria que eu sofresse. Mas eu era a maior paixão dele, isso tem um mês. 

Fiz besteira? Tô bem aflita, acho ele um cara e tanto.

Estou apaixonada, mas moramos longe um do outro

Novamente os absurdos da carência vieram assombrar o blog! Mas vamos segurar a vontade de arrancar os cabelos e dar um pescotapa na leitora…

Para o seu azar (ou sorte, não sei), hoje eu estou meio amargurada por estar de saco muito cheio e sem paciência para ser legal com uma MULHER de 35 anos no lombo que ainda não descobriu de qual caminhão caiu.

Leitora, para com essa pinga de “nos apaixonamos” mulher, tá loka? Você nem viu o bofe, nem sabe se o cara tem bafo, se tem química, se ele baba muito no beijo, se o pinto dele é cheiroso ou cheira a gorgonzola. Então menos é mais.

As redes sociais são ma.ra.vi.lho.sas. justamente por que podemos filtrar um dia bunda como o de hoje. Pessoalmente qualquer um veria a aura escura e cinza, mas com o filtro da web conseguimos passar uma imagem bem diferente. Basta mandar um “bjo”, uns “kkkk” e uns dois memes que tá tudo certo, afinal, não tem tonalidade de voz, não tem olho no olho e existem mil filtros bem eficientes para tirar o ânus da testa.

A realidade pode se tornar muito “blargh”, chata e tediosa, e por isso temos que ter o cuidado redobrado para não cairmos no canto da sereia entoado pelas redes. Lá todos são lindos, felizes, apaixonantes e comem só coisas bacanudas. Mas no dia a dia, nada daquilo é real. NADA DAQUILO É REAL MEU POVO!

Porém, esse tempo que tiveram para conversar não deve ser descartado, pois criaram algo, um vínculo inicial que poderia ser o começo de algo a mais, MAS esse algo a mais não vai ser atingido enquanto estiverem longe um do outro. Pelo visto ambos já sacaram que a mudança territorial é muito arriscada por um relacionamento baseado no virtual.

Aí você deu um “chega pra lá nele” quando arrumou um boyzinho belenense, mas como o conto de fadas real pode ser uma droga, decidiu que a fantasia era a sua melhor opção e retornou ao “paulistinha”. Contudo, o cara já tava em outra e, como uma boa mulher birrenta, saiu chutando o balde por que o cara já não lhe daria toda a atenção que achava merecer.

Nesse sentido você diz: “Sofri muito“. Sofreu nada. Para de drama mexicano e vai lavar uma louça! Lembre-se que tens 35 anos no lombo, pare chorar o leite que nem derramado foi e vá procurar uma ocupação, EXISTE VIDA FORA DE RELACIONAMENTOS! Meu Deus do céu, tô cansada de gente que só é feliz se tiver drama, aliança no dedo e uma pessoa pra chamar de sua. Credo, é uma vida muito vazia essa.

Cadê as amigas pra ir tomar um chope e rir da desgraça alheia? Cadê o crescimento profissional? Cadê a realização como ser humano? NÃÃÃO, eu só serei realizada se tiver um homem aos meus pés, mesmo que nada seja real!

A todos os leitores, conhecer alguém legal é consequência de uma vida feliz, pra cima e realizada. Ser feliz sozinho, mas feliz de verdade, sentir-se bem só ou acompanhado. Não ficar nessa agonia de achar alguém que se encaixe nos seus planos frustrados da adolescência. Tem gente tão doida que escreve um roteiro de vida com começo, meio e fim, com todos os personagens imaginários e a vida chega e pá, destrói os planos para fazer a pessoa aprender a se adaptar.

Sendo assim, tem ainda aquelas pessoas que passam a imagem de fodonas e que estão super bem e felizes solteiras, mas no fundo tão sofrendo por não ter uma aliança no dedo. TER UMA ALIANÇA NO DEDO, ESTAR NUM RELACIONAMENTO, NÃO GARANTE A FELICIDADE DE NINGUÉM. Tenham isso em mente.

Por fim, moça do relato, você não era a maior paixão dele, pois ele também não teve como saber se seu beijo é bom, se você tem bafo ou se sua ppk cheira a bacalhau. Não houve nada entre vocês que consubstanciasse e desse alicerce para nascer uma paixão. No máximo o que nasceu disso daí foi fogo no rabo e muita lorota.

Portanto, é muito difícil dar certo estando junto um olhando as remelas do outro, ainda mais hoje com tamanha exposição e tamanha distorção do que realmente importa na vida, mais difícil ainda é se dispor a ser webcorna e decidir sofrer por nada. Decidir sofrer… é isso, você decidiu sofrer, mas pode mudar de ideia e decidir ser feliz.

Assim sendo, cabe a você decidir gostar de alguém acessível e que esteja dentro das suas condições para desenvolver um relacionamento real, afinal, você tem mais de 140 mil habitantes em Belém e não é possível que não haja nenhum boy que dê um caldo. Decida isso, como eu decido todos os dias, sendo bons ou ruins, a ser besta, ser feliz, a rir e a apreciar as pequenas coisas que realmente importam na vida.

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About Author

Mari Cobra

Colaboradora do Pergunte a uma Mulher. Intolerante à lactose, bem cuzona, nunca disse que sou legal, tenho um coração grande e geralmente tomo na tarraqueta, geminiana e fodidamente indecisa. Apaixonada pela vida e falo muito palavrão.